Ansiedade: quando ela deixa de ser um sentimento normal e vira um transtorno generalizado?

Colaboradores Yahoo Vida e Estilo
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Por Natália Leão (@natileao_)

Você fica ansioso antes de uma reunião, de uma prova ou de um encontro? Sente frio na barriga, o coração acelerado, as mãos suadas e os pensamentos a mil, tentando prever como será aquele momento? Todos esses sinais que seu corpo dá estão relacionados à ansiedade. Mas quando ela deixa de ser um sentimento normal e passa a se tornar um transtorno ou uma doença? Muitas pessoas passam por isso.

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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país com os maiores índices de depressão e ansiedade da América Latina. No âmbito mundial, ocupamos a primeira posição nos índices de ansiedade, e temos a 5ª maior taxa de depressão. Entenda a ansiedade e saiba identificar se a sua está sob controle.

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Ansiedade normal ou generalizada?

“A ansiedade é uma reação emocional que as pessoas sentem em algum momento da vida, como por exemplo, o coração acelerado, calafrios e suor excessivo antes de fazer uma prova ou antes de falar em público, ou antes do primeiro encontro amoroso”, explica a psicóloga Marilene Kehdi, fundadora do site Psicodicas.

Já o transtorno da ansiedade generalizada (TAG), segundo o manual de classificação de doenças mentais (DSM.IV), é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, persistente e de difícil controle que perdura por seis meses no mínimo e vem acompanhado por três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.Ou seja, quase todas as pessoas sentem ansiedade e ficam tensas frente a situações ameaçadoras ou estressantes, mas logo recuperam seu equilíbrio normal.

“O que não é saudável é viver diariamente muito ansioso, sentindo-se excessivamente preocupado e com muito medo. Quando a ansiedade é sentida neste nível, como algo incontrolável, anormal e persistente, ela se caracteriza como um transtorno de ansiedade generalizada (TAG), que desencadeará outros transtornos, entre eles, a síndrome do pânico - caracterizada pelo medo extremo e irracional, e mal estar intenso que paralisam a pessoa -, alguns tipos de fobias, como a social, o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), e também alguns transtornos alimentares”, conclui a psicóloga.

Causas e consequências da ansiedade

O transtorno de ansiedade generalizada pode ser causado por fatores genéticos ou por alterações químicas no cérebro. “No segundo caso, o funcionamento dos neurotransmissores é desregulado, gerando uma alteração”, explica a médica.

Fatores externos também podem desencadear o transtorno, como: estilo de vida, estresse no trabalho, problemas de relacionamento, mudanças bruscas na vida, como desemprego, morte de pessoas próximas ou vivenciar situações traumáticas. “O transtorno de ansiedade generalizada sempre surgirá acompanhado por manifestações psicológicas, fisiológicas e somáticas”, explica a médica.

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Sintomas e tratamentos

Os sintomas do transtorno de ansiedade generalizada são: angústia constante, medo irracional, preocupação excessiva e desproporcional às situações, “por exemplo, com dinheiro, família, trabalho e saúde”, explica Marilene; repetição de pensamentos negativos e pessimistas, “sempre vendo o lado trágico das situações, o que vai interferir no fluxo diário da vida da pessoa”. Vivem assustadas e irritadas, também apresentam sudorese e inquietação, queixam-se frequentemente de dores de cabeça, náuseas, tensão muscular, boca seca, falta de ar, palpitações, (taquicardia).

O transtorno de ansiedade generalizada, causa um profundo impacto na vida da pessoa e, quando não é tratado, evolui para uma depressão. Algumas medidas podem ajuda: procure respirar profundamente, fazer caminhadas ou exercícios ao ar livre, entender e analisar os próprios pensamentos, procurando não ser uma pessoa negativa e pessimista. Mas procurar ajuda profissional é indispensável.

“É importante buscar ajuda de um psicólogo e também de um psiquiatra, que vai prescrever a medicação adequada para atuar no bom funcionamento e na regulação dos neurotransmissores, controlando e ajustando a ansiedade. Já a psicoterapia auxiliará no processo de reconhecer e mudar os padrões de pensamentos e os comportamentos que levam ao quadro ansioso. Ao limitar os pensamentos negativos, o paciente analisará suas preocupações incoerentes e alcançará o autoconhecimento”, conclui.