Ansiedade e estresse: entenda esses males para se livrar deles

Alessandro Vianna, especial para o Yahoo! Brasil
Identifique e controle esses sentimentos prejudiciais. (Foto: Thinkstock)


Olá, leitores do Yahoo.

Hoje quero falar de uma dupla que (infelizmente) tenho percebido cada vez mais em minha vida profissional. Para isso, acho importante vocês entenderem um pouco o porque eles surgem, quais suas importâncias e seus prejuízos.

Ansiedade e estresse são termos de uso corrente entre as pessoas participantes daquilo que se chama vida moderna. Ninguém gosta de pensar neles como formas de algum transtorno emocional. Isso pode parecer muito próximo do descontrole, da piração ou da loucura e, diante da possibilidade de sermos afetados, pelo menos alguma vez na vida, pelo estresse, pela ansiedade, então será melhor não considerá-los como formas de algum transtorno emocional e acabamos ignorando-as. Errado!

Devemos considerar o estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo à uma nova situação. Em medicina, entende-se isso como uma ocorrência fisiológica global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional.

Fisicamente, o estresse aparece quando o organismo é submetido à uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou quando há uma situação percebida como de ameaça. De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido à uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar e adaptar-se e, consequentemente, terá de superar. Portanto, o estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável à sobrevivência, porém dentro de um limite.

Do ponto de vista psíquico o estresse se traduz na ansiedade. A ansiedade é, assim, uma atitude fisiológica (normal e esperada) responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo. Vejamos, por exemplo, as mudanças acontecidas em nossa performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e assim por diante. De frente para o perigo nossa performance física faz coisas extraordinárias, coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações mais calmas. Se não existisse esse mecanismo que nos coloca em posição de alerta ou alarme, talvez nossa espécie nem teria sobrevivido às adversidades encontradas pelos nossos ancestrais.

Embora a ansiedade favoreça a performance e a adaptação, ela o faz somente até certo ponto, até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência. À partir de um ponto excedente a ansiedade, ao invés de contribuir para a adaptação, concorrerá exatamente para o contrário, ou seja, para sintomas emocionais e muitas vezes físicos. Nesse ponto crítico, no qual a ansiedade foi tanta que já não favorece positivamente, ocorre um esgotamento A partir desse ponto, o desempenho ou adaptação para novas situações cai vertiginosamente. Aí se caracteriza o esgotamento e, consequentemente, vários sintomas.

Em nossos ancestrais esse mecanismo foi destinado à sobrevivência diante dos perigos concretos e próprios da luta pela vida, como foi o caso das ameaças de animais ferozes, das guerras tribais, das intempéries climáticas, da busca pelo alimento, da luta pelo espaço geográfico, etc. No ser humano moderno, apesar dessas ameaças concretas não mais existirem em sua plenitude tal como existiram outrora, esse equipamento biológico continuou existindo. Apesar dos perigos primitivos e concretos não existirem mais com a mesma freqüência, persistiu em nossa natureza a capacidade de reagirmos ansiosamente diante das ameaças.

Nunca poderemos aprender a lidar e aceitar como uma rotina constante a ansiedade e o estresse em excesso. Temos sempre que dar o máximo de atenção aos sinais que nosso corpo nos proporciona. Costumo dizer que quando não estamos dormindo bem, com algum desconforto físico, irritabilidade, falta de atenção, o nosso organismo nos está sinalizando que é o momento de rever o caminho e muitas vezes mudar a direção, mas infelizmente tomamos imediatamente um medicamento para “sufocar” este alerta, ignorando o porque do surgimento.

Se você leu este texto e se identificou com os sintomas descritos acima, hora de fazer uma análise dos núcleos de sua vida, sejam eles relacionamento, trabalho, família, outros, e verificar onde poderá mudar e buscar o seu equilíbrio o mais urgente possível.

Nunca se acomode ou tente se adaptar a algo que não está lhe fazendo bem e principalmente feliz!

* Alessandro Vianna é psicólogo clínico e sente um enorme prazer em estudar e entender o comportamento humano. Clique neste link para conhecer melhor o seu trabalho.