Stress, ansiedade e depressão podem desregular o ciclo menstrual; entenda o que acontece

Enfrentar sentimentos e sintomas relacionados a stress, ansiedade e depressão, por exemplo, pode alterar o ciclo menstrual e causar um desarranjo geral dentro do corpo. Foto: Getty images


Por Fernanda Lopes


Nem sempre o fato de a menstruação não chegar no dia esperado significa gravidez. Em algumas situações, significa que a mulher está passando por um período tão difícil, psicológica e emocionalmente, que afetou até a produção de hormônios femininos em seu corpo.

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Enfrentar sentimentos e sintomas relacionados a stress, ansiedade e depressão, por exemplo, pode alterar o ciclo menstrual e causar um desarranjo geral dentro do corpo. E essa bagunça toda não acontece no útero e nos ovários, mas sim no cérebro.

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“Nós temos um centro de comando hormonal no nosso cérebro que regula e libera diversos hormônios, como uma orquestra. Os reguladores se chamam hipotálamo e hipófise. Entre esses hormônios, existe um chamado GNRH, que estimula hormônios femininos responsáveis por estimular a ovulação e controlar o ciclo menstrual. Quando ficamos muito estressada, depressivas, ansiosas, passamos a liberar níveis excessivos de cortisol, noradrenalina, dopamina e adrenalina. Esses hormônios interferem na produção de GNRH, o que compromete a regularidade do ciclo menstrual”, explica a ginecologista Erika Kawano.

Pela produção muito baixa de hormônios femininos e muito alta de hormônios de stress e depressão, pode acontecer de a ovulação demorar mais para acontecer ou simplesmente não rolar durante mais de um ciclo. Consequentemente, a menstruação pode atrasar muito ou mesmo não aparecer durante meses.

“É o suficiente para não haver uma manutenção do ciclo, com uma regularidade que a mulher não entende. Pode menstruar duas vezes no mesmo mês, ficar dois meses sem menstruar, voltar a menstruar de novo. Um desarranjo hormonal total”, resume Jéssica Trafani, ginecologista.

O stress também pode influenciar no fluxo menstrual, com intensificação ou redução no período em que a mulher estiver com a orquestra hormonal fora de sintonia.

“Uma das coisas que determina o fluxo menstrual é a quantidade de estrogênio e progesterona que foram secretados naquele ciclo, quantos dias o endométrio foi exposto a esses hormônios. A depender do tempo de atraso, do tempo que levou para a mulher menstruar, pode haver menstruações mais intensas, porque o endométrio foi estimulado pelo estrogênio durante mais tempo, assim como podemos ter uma menstruação menor, se houve exposição menor a esses hormônios”, diz a dra. Erika.

É importante ressaltar que o diagnóstico de desregulação menstrual por conta de stress, ansiedade ou depressão deve ser feito mediante consulta com ginecologista e exames, porque há diversos outros fatores que podem fazer a menstruação atrasar.

Mas, se este for de fato o caso, os tratamentos mais indicados são para que a mulher regule suas emoções. É preciso que ela se tranquilize e entre numa sintonia de vida mais calma e saudável. Isso trará reflexos para seu organismo como um todo.

“Existem remédios fitoterápicos e chás que podem ajudar - mas sempre precisam ser prescritos por um médico. [Plantas como] Camomila, melissa, passiflora e valeriana podem ser um tratamento pra tentar diminuir o stress e a ansiedade. Mas existem casos mais graves que necessitam de alguma forma de medicação”, ressalta Erika Kawano.

“Terapia e meditação são muito importantes. Fazer atividades físicas e atividades de lazer também vão ajudar bastante no tratamento. E, a partir do diagnóstico, o recomendado é que a pessoa se trate com psicoterapia. Qualquer pessoa que esteja passando por um estado desse, com distúrbio menstrual ou não, deve fazer terapia”, completa a dra. Jéssica. 

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