Anos loucos do Maksoud tiveram até Axl Rose jogando cadeira contra os jornalistas

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SÃO PAULO, SP, 07.12.2021 - HOTEL-MAKSOUD: O hotel Maksoud Plaza, na região da avenida Paulista, em São Paulo, fechará suas portas após 42 anos de funcionamento. (Foto: Keiny Andrade/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 07.12.2021 - HOTEL-MAKSOUD: O hotel Maksoud Plaza, na região da avenida Paulista, em São Paulo, fechará suas portas após 42 anos de funcionamento. (Foto: Keiny Andrade/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - De todas as grandes estrelas internacionais que se hospedaram no Maksoud Plaza, o vocalista Axl Rose, da banda de rock Guns N’Roses, foi quem mais deu trabalho. Às 2h30 da madrugada de 9 de dezembro de 1992, ele saiu da sala de jogos do primeiro andar do hotel, catou uma cadeira de metal e a arremessou no lobby, dez metros abaixo.

Lá se reuniam os jornalistas que o irritavam, além de fãs, mas também chegava uma comitiva de uma convenção automobilística. A cadeira caiu a meio metro de Luciene de Carvalho, mulher de um economista que participava do encontro. "Filho da puta, seu idiota", esbravejou o próprio segurança de Axl com seu protegido.

Enquanto a polícia era chamada, o cantor e sua mulher, Stephanie Seymour, pegaram um motorista e saíram para dançar na casa noturna Columbia, onde também comeram massa. Durante o dia, ele declarou à polícia ter sido um acidente e deixou suas impressões digitais.

Mas, no show realizado na noite seguinte, Axl confessou ao público, por meio de uma intérprete, que teve "uns problemas aqui". "A imprensa gosta de foder os outros e depois diz ‘é meu trabalho’. Atirei uma cadeira neles e depois assinei um documento dizendo que tinha sido um acidente para poder cantar para vocês."

Quanta diferença da primeira grande atração internacional a movimentar o Maksoud Plaza. Em 1981, dois anos após a inauguração do local, Frank Sinatra se hospedou ali com sua mulher, Barbara Marx, em uma das quatro suítes presidenciais, no 20º andar.

Fez quatro shows seguidos no bar Night Club 150, no próprio hotel, de quinta a domingo, para 700 espectadores cada um. Só desceu do quarto para cantar e, antes de subir de volta, jantou todas as noites no restaurante Cousine du Soleil, por onde chegava através de um caminho secreto que ligava o camarim e a cozinha.

Na ocasião, Henry Maksoud, o dono do hotel, se negou a dizer aos jornalistas se tivera lucro ou prejuízo com a contratação de Sinatra. "Ainda que desse prejuízo, o objetivo era promover o hotel, na filosofia de que a cidade comporta grandes empreendimentos, inclusive no showbusiness. E isso foi amplamente alcançado."

A estratégia deu certo. Ray Charles, Ray Conniff, Julio Iglesias, Catherine Deneuve, Pedro Almodóvar, Rolling Stones e muitos outros roqueiros passaram por seus elevadores panorâmicos internos. No ano seguinte ao do Guns, com a realização do Hollywood Rock em São Paulo, uma batelada de bandas se hospedou ali.

Dizem que Kurt Cobain teria descido à lojinha de conveniência do hotel para perguntar onde poderia comprar drogas. O roqueiro e apresentador João Gordo, que teve uma noitada homérica com Cobain na rua Augusta naquela ocasião, não se lembra disso.

"Mas o Alice in Chains me pediu para arrumar cocaína e levei eles para o apartamento de uma amiga na rua Pamplona. Estavam aquele vocalista que se suicidou [Layne Staley, morto em 2002] e alguns outros da banda. Depois subimos para a avenida Paulista. Era meio-dia e os caras doidões pela avenida."

Gordo também se recorda de 1987, quando os Ramones tocaram pela primeira vez no Brasil. "Peguei o Dee Dee no Maksoud e o levei para as bancas da avenida Paulista. Ele queria comprar jornais com matérias do Ramones."

Na última década, houve uma tentativa de revitalização do espaço, com a aproximação de Henry Maksoud, neto do empresário homônimo, com Facundo Guerra, criador de diversas casas noturnas em São Paulo.

Em janeiro de 2015, Guerra abriu no último andar o clube PanAm, com pista de dança e inspiração na companhia aérea de mesmo nome. Mas uma fatalidade acabou com a casa pouco mais de dois anos depois. Uma cliente se jogou do heliponto do prédio, que servia como fumódromo para o clube. "Fechamos no dia seguinte ao suicídio", conta ele.

Também em 2015, o hotel abriu o Frank, bar de alta coquetelaria cujo nome foi escolhido em homenagem aos shows de Sinatra em 1981. O local foi idealizado por Guerra, que acabou saindo da sociedade antes mesmo de sua abertura por desacordos com Maksoud.

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