Anonymous diz ter provas que ligam Trump a tráfico e exploração de crianças

Claudio Yuge

O final de semana foi bastante intenso e movimentado nas ruas de todo o mundo e nas rede sociais. Além da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), vimos protestos contra racismo nos Estados Unidos e em várias cidades ao redor do globo devido à morte de George Floyd; e passeatas políticas no Brasil. Em meio a esse turbilhão, o Anonymous voltou à cena após as bombásticas revelações feitas pela série Jeffrey Epstein: Podre de Rico, disponível na Netflix.

A série reúne várias vítimas de Epstein, que fez riqueza no mercado financeiro e era acusado de contratar prostitutas menores e de comandar uma rede de tráfico internacional de adolescentes. Em 2008, ele chegou a ser condenado, mas apenas pelo crime de contratação de prostituição, em um processo judicial bastante controverso conduzido pelo procurador Alexander Acosta.

De acordo com a atração da Netflix, o caso acabou abafado porque Epstein nutria relações próximas com muitos poderosos, incluindo milionários como Donald Trump e John Casablancas, o ex-presidente Bill Clinton e o Príncipe Andrew. Além disso, Epstein costumava fazer doações generosas para pesquisas científicas, então era bem-visto na comunidade de docentes nos EUA. Assim, o executivo cumpriu sua sentença de 18 meses de prisão, de forma, digamos, “diferenciada”, como revelam as informações da série.

Série da Netflix fez diversas revelações contra políticos e celebridades (Reprodução/Netflix)

Anos depois, o movimento #MeToo, que viralizou em 2017 ao trazer declarações de milhares de mulheres vítimas de assédio ou agressão sexual, trouxe à tona acusações a famosos, incluindo o produtor de cinema Harvey Weinstein e o próprio Epstein. O FBI retomou o caso de Epstein e incluiu a acusação de tráfico de menores. Somados aos vários processos ao longo das décadas, tudo isso resultou em sua prisão no dia 6 de julho de 2019.

No dia 23 de julho daquele ano, Epstein foi encontrado ferido e semiconsciente em sua cela, com marcas em volta do pescoço, sob suspeita de tentativa de suicídio ou ataque. Após confirmada a sua morte, várias teorias especulam uma possível “queima de arquivo” por parte de poderosos envolvidos em suas "festinhas" e teia de tráfico internacional de menores.

Todos os citados na série negam envolvimento com Epstein e políticos como Bill Clinton, o Príncipe Andrew e o próprio Trump dissociaram suas relações passadas com o executivo. Acosta, que havia sido promovido a secretário do Trabalho no início do governo Trump, renunciou ao cargo após esses episódios e disse que a decisão não tinha ligação com sua conduta no caso Epstein — que voltou a ser criticada depois da nova condenação.

Algumas das vítimas de Epstein, que participaram do seriado (Reprodução/Netflix)

Tudo isso foi mostrado na série, com depoimentos de várias vítimas e muitas evidências. Neste ano, o FBI recolheu bastante material de computadores, arquivos, celulares e outras supostas provas no apartamento de Epstein, em Nova Iorque. Como o executivo tinha câmeras em todas suas mansões nas Ilhas Virgens, Palm Beach, Nova Iorque e Paris, há suspeitas de que os conteúdos dessas apreensões possam implicar em processos contra vários outros bilionários, empresários e celebridades. O que nos leva ao Anonymous.

Anonymous faz graves acusações

Na madrugada deste domingo (31), o grupo Anonymous voltou à cena depois de Donald Trump considerar o movimento antifascista de esquerda Antifa como militantes extremistas e “terroristas” nos protestos antirracistas pela morte de George Loyd. Os hackers acusaram o presidente dos EUA de ser um dos envolvidos diretos na rede de tráfico comandada por Epstein e até que ele teria ordenado sua execução para eliminar possíveis ligações entre ambos.


O Anonymous disse ainda ter fotos de Trump com menores de idade e divulgou uma lista de pessoas que eram supostamente chantageadas por Epstein — especula-se que esses conteúdos tenham sido parte do que foi apreendido pelo FBI nas residências do executivo. Nesse suposto documento constam os nomes de Trump, a ex-supermodelo Naomi Campbell, John Casablancas (dono da Elite Model e pai do vocalista dos Strokes), advogados da família Kennedy e até empresários brasileiros, como Pedro Paulo Diniz e Mário Garnero (pai de Álvaro Garnero).

Lista de supostos envolvidos com Epstein, divulgada pelo Anonymous (Reprodução/Anonymous)

O grupo também recomendou “olhar para o Brasil e investigar se Bolsonaro tem ligações com o traficante de crianças e o estuprador John Casablancas, um parceiro próximo de Trump”.


Vale destacar que nada disso foi comprovado e que não há provas concretas, nem mesmo confirmações de nenhum dos acusados ou do FBI — e nem mesmo há declarações sobre quaisquer abertura de inquéritos ou investigações em andamento a respeito dessas acusações.

E, embora todas as atenções estivessem voltadas para as manifestações pelo mundo e no Brasil, tudo isso caiu como uma bomba no Twitter. O Anonymous e o assunto dominaram os Trending Topics das últimas horas e o caso ainda promete causar muito barulho. Enquanto isso, seguimos acompanhando para atualizar as consequências das revelações feitas pela série da Netflix e as acusações feitas pelo grupo hacker.

Fonte: Canaltech