Anitta revela infecção por vírus que pode estar associado à esclerose múltipla; entenda

No último sábado, a cantora Anitta revelou que há alguns meses recebeu o diagnóstico de infecção pelo vírus Epstein-Barr. O patógeno é conhecido por ser o causador da mononucleose infecciosa, popularmente conhecida como "doença do beijo". O vírus, entretanto, também pode desencadear outra doença, a esclerose múltipla.

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Anitta contou sobre seu diagnóstico durante o lançamento do documentário "Eu", produzido pela atriz Ludmilla Dayer. Na obra, Dayer fala sobre sua luta contra a esclerose múltipla, doença que, segundo ela, foi causada pelo vírus.

"Quando chegaram os resultados eu estava com o mesmo vírus que a Ludmila, em fase inicial. Hoje em dia não existe coincidência. Por sorte, por destino, eu consegui nem chegar no estágio que a Ludmila chegou", disse a cantora.

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O Vírus Epstein–Barr é um vírus da família da herpes, extremamente comum em humanos. Estima-se que de 90% a 95% dos adultos já tenham sido infectados pelo chamado herpesvírus humano 4, responsável por provocar a "doença do beijo", a mononucleose. Em crianças, o vírus costuma mostrar sintomas leves ou, muitas vezes, assintomática.

Os principais sintomas da infecção são dor de garganta, inchaço nos gânglios, tosse e perda de apetite. Também pode haver fadiga, inflamação do fígado e hipertrofia do baço.

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Como ela pode ser facilmente confundida com outras doenças respiratórias, a única forma de confirmar o diagnóstico de mononucleose é por meio da realização de um exame de sangue específico. Como em outras viroses, não há tratamento específico contra a mononucleose. A única coisa a fazer é o tratamento sintomático, com o uso de antitérmicos, analgésicos, anti-inflamatórios, e bastante repouso.

Entretanto, ao contrário de outros vírus, o Epstein–Barr não é eliminado do organismo. Uma vez infectada, a pessoa pode permanecer com o vírus inativo para sempre. Mas, segundo informações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), ele pode ser reativado em alguns casos.

A relação entre o vírus e o desenvolvimento da esclerose múltipla foi apontada por um estudo realizado pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, publicado no início deste ano. A análise, que envolveu dados de 10 milhões de militares americanos coletados ao longo de 20 anos, revelou que o vírus atuaria como um gatilho em pessoas geneticamente suscetíveis a doença.

A esclerose múltipla é uma doença multifatorial, na qual o sistema imunológico ataca erroneamente a mielina, uma bainha isolante que envolve muitas fibras nervosas, e esse dano prejudica a capacidade das células nervosas de transmitir sinais. Os primeiros sinais desse dano às células nervosas podem aparecer até seis anos antes do diagnóstico.

Trabalhos anteriores já haviam apontado o papel do vírus no surgimento de outros problemas de saúde, incluindo lúpus e artrite.