Anitta ganha estátua nos EUA e quer ressignificar o verde e amarelo do Brasil

*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 19.05.2019 - A cantora Anitta. (Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 19.05.2019 - A cantora Anitta. (Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Não é de hoje que Anitta vem se tornando um símbolo do Brasil no exterior. Mas, este ano, ela deu mais alguns passos no sentido de se tornar ainda mais conhecida em outras partes do mundo. O movimento mais recente é ganhar uma estátua no Madame Tussauds, famoso museu que replica imagens de celebridades em esculturas de cera.

"Estou bem feliz com a homenagem", ela diz, por e-mail, à reportagem. "O Madame Tussauds costuma eternizar figuras que tiveram grandes impactos na cultura, então ocupar espaço junto a esses ícones me enche de orgulho."

Anitta não é a primeira brasileira a ganhar uma estátua no museu, que tem sede em Londres e filiais em diversas cidades, de Berlim a Hong Kong, de Sidney a Tóquio. Antes dela, nomes do esporte, como Neymar, Pelé e Ayrton Senna, além de modelos como Adriana Lima, Alessandra Ambrósio e Gisele Bündchen também foram homenageadas pelo Madame Tussauds.

A figura da cantora, feita em Londres, vai ficar exposta no museu de Nova York. Ela aparece usando uma camiseta com os dizeres "garota do Rio", tradução em português de seu single recente, "Girl from Rio".

"A estátua foi feita em Londres, onde compareci para que tirassem minhas medidas, verificassem meus tons de pele, olhos, cabelo, tatuagens e tudo mais", diz a cantora. "'Girl From Rio' fala muito das minhas origens, sobre a mulher brasileira real, então fez todo o sentido. Daí o desejo de incorporar o figurino dessa faixa no visual da estátua, para que ela representasse o lugar de onde vim."

Este ano, Anitta lançou o álbum "Versions of Me", com músicas em inglês, espanhol e português, dando continuidade ao projeto de mirar três grandes mercados --o brasileiro, o da América Latina e o dos Estados Unidos. O trabalho consolida o sucesso de "Envolver", um reggaeton que, com a ajuda dos fãs e do TikTok, alçou uma faixa da brasileira à posição de mais ouvida do Spotify no planeta, um feito inédito.

Em abril, ela se apresentou em um dos festivais mais famosos do mundo, o Coachella, que acontece anualmente na Califórnia. Na ocasião, com a ajuda de gigantes da música americana, como Snoop Dogg, ela levou ao palco principal uma apresentação que, tanto na cenografia quanto na parte sonora, foi recheada de referências ao Brasil --especialmente a cultura das favelas do Rio.

"Acredito muito na ressignificação do verde e amarelo da nossa bandeira, que é tão linda, como um movimento do povo para o povo, sabe?", diz Anitta, que na ocasião cantou usando roupas com as cores do Brasil, e levantou debates sobre elas terem se tornado símbolos dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) nos últimos anos. "É por isso que achei importante trazer essas cores ao palco do Coachella, num show todo pensado como uma exaltação à cultura de periferia do nosso país."

A exaltação da cultura brasileira aparece em "Que Rabão", a música de "Versions of Me" que mais tem ligação com o país da cantora. A faixa tem participação póstuma do ícone do funk Mr. Catra, em gravações deixadas por ele antes de morrer, e batidas do produtor carioca Papatinho que remetem ao gênero com o qual Anitta começou sua carreira.

Com exceção dos singles, lançadas previamente, "Que Rabão" é a música do álbum dela com mais visualizações nas plataformas de streaming, dividindo o posto com "Gata", que conversa com as origens do reggaeton e tem apelo instantâneo com o público latino. Ela divide os vocais com Chencho Corleone, metade do duo histórico Plan B, e conecta Jamaica e Porto Rico revisitando o antigo sucesso "Guatauba".

''Gata' sempre foi uma das minhas maiores apostas do álbum, porque é uma faixa que conversa com a memória afetiva de muita gente na América Latina", ela diz. "E, no caso do Brasil, 'Que Rabão' tem o mesmo efeito, pela presença do Mr. Catra nos vocais. Ambas as músicas são muito ricas cultural e sonoramente, morro de orgulho delas."

Agora, Anitta planeja tomar a Europa. Ela tem shows marcados nas edições de Lisboa do Rock in Rio e de Paris do Lollapalooza. Apesar de ter alguma entrada entre os ouvintes de música do continente --desde "Vai Malandra", de 2017, ela aparece vez ou outra entre as mais ouvidas no streaming de alguns países europeus--, ele não era exatamente a prioridade da brasileira.

Agora, ela diz, "a Europa está, sim, super presente nos planos de expansão da minha música para o mundo". "O sucesso de 'Mon Soleil', minha parceria com o [cantor francês] Dadju foi para mim um sinal de que o público francês é super aberto às novas vozes, o que me deixa ainda mais animada para o Lollapalooza Paris. 'Envolver' também foi super bem pelo continente todo. Estou otimista", afirma a cantora.

Envolvida recentemente em notícias envolvendo o uso de verba pública por cantores sertanejos, Anitta não respondeu às perguntas da reportagem sobre as polêmicas. A cantora ainda não se pronunciou diretamente sobre o assunto, depois de ter sido alvo de ataques do cantor Zé Neto, que debochou de sua tatuagem íntima e criticou a artista por supostamente usar verba da Lei Rouanet.

Ela, contudo, comentou sobre o movimento recente de se tornar sócia da empresa Fazenda Futuro, que faz produtos que imitam carnes através de plantas. "Cada vez mais, vejo um movimento de mercado preocupado com o impacto ambiental do nosso consumo, então o potencial é grande. Além disso, são produtos que estão totalmente alinhados com os meus princípios, com as causas em que acredito e escolhi seguir", ela diz.

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