Anitta e Neymar: por que os brasileiros amam odiar pessoas bem-sucedidas?

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Anitta e Neymar: odiados por muitos brasileiros, mesmo com sucesso internacional (Fotos: Getty Images)
Anitta e Neymar: odiados por muitos brasileiros, mesmo com sucesso internacional (Fotos: Getty Images)

Resumo da notícia:

  • Anitta e Neymar são criticados no Brasil, mesmo com carreiras de prestígio lá fora

  • Mesmo empilhando recordes, eles ainda não convencem haters do sucesso

  • Por que o país ama odiar pessoas bem-sucedidas?

Anitta, destaque do Coachella, hoje é a artista brasileira com mais prestígio no show business internacional. Com a fama crescendo para longe das nossas fronteiras, a cantora poderá vir a se tornar um nome tão reconhecido quanto Neymar, nosso jogador de futebol mais bem-sucedido na Europa nos últimos 10 anos. Além do sucesso em terras estrangeiras, eles também compartilham um problema em comum: uma certa rejeição no país-natal.

Sejamos justos: os dois nunca passam imunes de críticas. Não deixa de ser estranho que duas das personalidades mais populares do Brasil na atualidade tenham tantos haters, principalmente nas redes sociais. Vivendo o melhor momento da sua carreira, Anitta foi diminuída por ter chegado ao topo do Spotify mundial supostamente só com o esforço dos fãs brasileiros.

Na verdade, a faixa "Envolver" ficou mais de um mês sendo mais ouvida fora do país, sendo apenas impulsionada pelo sucesso em território brasileiro entre os dias 24 e 26 de março. Quase um mês depois de entrar na história com a primeira latina a atingir o topo dos charts do streaming, a música segue estável no top 10 mundial e nacional. O sucesso é indiscutível.

Mesmo abrindo caminho para os brasileiros, Anitta é frequentemente diminuída, como se não tivesse talento para ocupar tal espaço. No caso de Neymar, a situação é parecida. Ainda que já tenha tido dias melhores no PSG, o brasileiro é simplesmente o recordista brasileiro em gols na Champions League, competição de clubes mais importantes do mundo, com 41 gols em 69 partidas.

Jogando em alto nível há mais de uma década, Neymar é alvo de queixas permanentes dos brasileiros, de forma injusta. O fato dele nunca ter vencido uma Copa do Mundo pelo país pencampeão pode pesar, mas deveria ser ao menos minimizado com os seus números impressionantes. Apenas Pelé, o Rei do Futebol, marcou mais do que ele com a camisa da seleção em jogos oficiais: atualmente, são 95 versus 67.

Apesar do seu enorme talento, Neymar não pode ser chamado de herói nacional, como ele mesmo reconhece. Ainda que tenha um fã-clube enorme e apaixonado, Anitta também passa longe de ser unanimidade. São dois exemplos que mostram não basta talento e constância no trabalho para ser ídolo, ainda mais no Brasil.

É possível listar todas as contradições dos dois - e elas são muitas. Anitta recentemente foi criticada por declaração, descontextualizada ou não, que pintou a população brasileira com uma imagem sexualizada. Neymar também recebe críticas por vira e mexe confraternizar ou até mesmo votar na família Bolsonaro.

Mas as críticas parecem desproporcionais, diante da grandiosidade das suas carreiras. Depois de tantos anos de sucesso de ambos, uma coisa já ficou clara no Brasil: ela, uma mulher favelada do Rio de Janeiro, ele, um homem negro, precisam se esforçar o dobro em troca de aplausos, sem garantia de retorno. Para eles, o reconhecimento mundial não é o bastante.

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