Anexo do Espaço Itaú de Cinema, na rua Augusta, vai fechar após venda de imóvel

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dividido em dois endereços, o Espaço Itaú de Cinema da rua Augusta, em São Paulo, perderá seu tradicional anexo, após a venda do imóvel onde ele está localizado para uma incorporadora. Atualmente, o espaço abriga duas salas de cinema, salas de aula e o Café Fellini.

O Espaço Itaú, agora, tem até janeiro do ano que vem para exibir filmes em seu anexo, no número 1.470 da Augusta. A sede principal, do outro lado da rua, no 1.475, continuará funcionando normalmente -Adhemar de Oliveira, dono do cinema, deve assinar um contrato de renovação com seu locador em breve.

"Cinemas de rua, historicamente, ficam em prédios alugados. Houve uma oferta para que a gente comprasse o imóvel do anexo, mas nós não temos como. E nem é do perfil do nosso setor sair comprando imóvel", diz ele.

Vendido para a incorporadora Vila 11, o imóvel deve ser demolido para abrigar um prédio comercial. Na rua Antônio Carlos, ao lado, será erguido um prédio residencial, conectado a ele, reforçando o avanço da especulação imobiliária que tem tomado as ruas que desembocam na avenida Paulista.

"Depois de dois anos de pandemia, com a atividade mais fraca, nós estamos num momento de recuperação, não de investimento. Fazemos um trabalho de 30 anos na Augusta, o cinema foi essencial para transformar a rua. Isso aqui nos anos 1990 estava triste, mas infelizmente, na lógica da cidade, o nosso papel, de cinemas, teatros, restaurantes, é de embelezar. Damos vida à cidade, mas nesse momento ela está mudando e os pequenos negócios sofrem."

Agora, o Espaço Itaú estuda maneiras de incorporar a programação do anexo à sede principal, em frente --diminuindo as janelas entre uma sessão e outra e, também, tentando ampliar o espaço do Café Fellini, a bonbonnière que, apesar de estar presente nos dois imóveis, tem no puxadinho seu ambiente mais reservado e aconchegante.

Também não foi descartada a ideia de alugar um outro imóvel ou até mesmo expandir a sede verticalmente, num movimento que replicaria o que ocorre no entorno. Até o ano que vem, o anexo deve seguir funcionando, após um acordo firmado entre a incorporadora e os atuais locatários, que não precisarão pagar aluguel pelos próximos meses, enquanto estudam os próximos passos.

São migalhas, na visão de Hugo Delgado, do restaurante La Sabrosa. A tradicional taquería funciona na parte da frente do cinema desde 2014 e, agora, vai buscar um outro endereço para se fixar. Ele diz que a negociação ocorreu "de maneira agressiva, com muita pressão".

"Estamos falando de negócios milionários, e os pequenos, como o meu, precisariam de mais ajuda. Esse capitalismo agressivo está acabando com a vida na Augusta, onde agora só sobem prédios horríveis. É uma tristeza, especialmente para o cinema, que é uma instituição da cidade."

Ele conta que os próximos meses serão difíceis, já que o La Sabrosa herdou dívidas dos meses em que esteve fechado pela pandemia, e que só agora está conseguindo pagar. "A notícia nos atingiu como um tsunami."

Há ainda o investimento feito nos endereços. No caso do Espaço Itaú de Cinema, Oliveira estima que, hoje, para construir um espaço como aquele, aberto em 1995, com projetores, poltronas, sistemas de som e telas adequados a um novo espaço, gastaria ao menos R$ 5 milhões.

Ele se diz emotivo com o fechamento, mas se mostra compreensível em relação à lógica imobiliária da capital paulista. E cita "Sampa", de Caetano Veloso --"é a força da grana que ergue e destrói coisas belas".

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