Anderson di Rizzi perde sete quilos e faz aulas de tiro para viver protagonista de O Segundo Homem

MANUELA TECCHIO
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 12.10.2018 - Anderson Di Rizzi em estreia do espetáculo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com dores nas costas e na mão, Anderson di Rizzi chega ao set de gravações do novo longa metragem de Thiago Luciano, "O Segundo Homem", com um ar sério. Mas logo se solta. "Hoje eu aceito uma massagem", brinca com a equipe. As dores são reflexo da aula de tiro, na tarde do dia anterior. 

"Ontem foi meu primeiro tiro da vida, eu tremia. Não tenho uma boa imagem da arma. A que me foi passada é uma imagem ruim, de que as pessoas usam para assaltar e matar." Di Rizzi conta que precisou de ajuda para desconstruir essa ideia e conseguir aprender as técnicas.

Para cumprir a missão, o artista contou com a orientação de um policial da Delegacia Especializada Antissequestro, do qual não desgrudou por semanas. Dele, ouviu "histórias cabulosas", aprendeu fundamentos e copiou trejeitos. 

No filme, que desenha um cenário distópico, o porte de armas é liberado no Brasil. Em meio às discussões sobre o assunto, o ator se posiciona. "O Thiago [roteirista e diretor] imaginou um futuro onde você compra a arma no mercado e paga no caixa. Eu tenho muito medo disso. Eu tenho medo das pessoas destreinadas, na verdade."

Na pele do protagonista Miro, o ator também precisou de disciplina na alimentação e na rotina de exercícios físicos. Por conta das gravações espaçadas, que começaram no início do ano, em Paris, na França, ele precisou manter por vários meses a mesma dieta rígida e suplementada para viver o forte soldado da trama. 

Emagreceu cerca de sete quilos. "Perdi todas as roupas que eu tinha. Estou há um ano comendo brócolis, peixe e arroz integral", diz.

Conhecido por papéis mais doces ou cômicos na televisão, Di Rizzi acredita que a oportunidade possa ter grande impacto sobre sua trajetória artística. "É um papel que exige muito de mim psicologicamente e fisicamente. Eu acredito que esse personagem vai ser muito importante para a minha carreira. Pode mudar a forma como as pessoas vão me enxergar daqui pra frente", afirma. 

Enquanto isso, também interpretou o executivo Márcio na novela "A Dona do Pedaço" (Globo) e encarnou um personagem inspirado em textos de Franz Kafka no teatro, em temporada no Rio. Nesse meio tempo, ainda ganhou seu segundo filho, em junho.

Segundo o ator, ultimamente tem sido mais difícil trabalhar com arte no país. "Fizemos [o espetáculo "Um Beijo em Franz Kafka"] sem patrocínio. Amigos meus tiveram peças censuradas, filmes com editais aprovados que foram parados. Eu percebo que há uma censura velada."

Para ele, uma das questões mais graves nesse contexto são os preconceitos e mitos em torno de leis de incentivo à cultura, como a Rouanet. "Senti que nos últimos meses a figura do artista ficou banalizada. Parecia que a gente queria dinheiro para outras coisas e não para exercer a nossa arte, nossa função", afirma.

Di Rizzi faz ainda um convite aos que desejam apoiar produções brasileiras. "O público precisa ser a resistência. Tem que prestigiar, ir ao teatro, ir ao cinema, consumir cultura."