Se nem Ana Maria Braga aceita homens grossos, quem somos nós pra fazer o contrário?

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Ana Maria Braga supostamente terminou o casamento porque o então marido maltratava seus funcionários (Foto: Ana Maria Braga / Instagram)
Ana Maria Braga supostamente terminou o casamento porque o então marido maltratava seus funcionários (Foto: Ana Maria Braga / Instagram)

"Não adianta nada ser rico e não dar bom dia pro porteiro do prédio", diz a sabedoria da internet. Mas lembrando aqui que respeito é bom e pouco importa a profissão do outro. Inclusive, parece que esse foi um dos motivos que causaram a recente separação da apresentadora da Globo Ana Maria Braga do (agora ex) marido Jhonny Lucet: os maus tratos com os seus funcionários.

O motivo ainda é uma especulação - nada oficial foi dito pela apresentadora ou a sua equipe -, mas é o tipo de assunto que levanta uma questão importante: o destrato com funcionários e pessoas em profissões consideradas "abaixo" na cadeia hierárquica.

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Não é novidade nenhuma que a sociedade em que vivemos coloca o poder na mão do homem branco, principalmente naquele que tem dinheiro. Historicamente, em um país crescido nas costas da exploração, homens e mulheres pretos que serviam de escravos eram (e, muitas vezes, ainda são), vistos de forma inferior - não à toa são vistos como uma minoria, sendo que compõem mais da metade da população brasileira (56,10% segundo a pesquisa Pnad, do IBGE, de 2019). O mesmo vale para a população indígena.

Ainda assim, e totalmente relacionado com essa premissa, ainda hoje as profissões consideradas de base - pense em lixeiros, diaristas, porteiros, atendentes de telemarketing e até motoristas de ônibus -, são extremamente desvalorizados, apesar de serem funções de extrema importância para o funcionamento da nossa sociedade. Tenha em mente, aqui, o efeito de uma greve de motoristas, por exemplo, ou dos profissionais de coleta do lixo. Ao mesmo tempo, pense em quantas pessoas do seu convívio reconhecem a importância dessas pessoas e, inclusive, se sentem gratas pela sua presença.

Mas essa é outra discussão. Porque o suposto motivo de término de Ana Maria Braga é uma queixa comum a respeito dos homens, principalmente os poderosos: eles tratam bem as pessoas próximas, namoradas ou alguém em quem tenham algum tipo de interesse, mas não olham duas vezes para o garçom que lhe serve a comida e é grosso com o funcionário que faz um comentário - às vezes até pertinente - sobre um projeto de trabalho.

É preciso olhar para isso através de uma lente macro, que, como dissemos acima, historicamente coloca os homens brancos como superiores às demais pessoas, detentores de todo o poder e que, por conta disso, se veem no direito de tratar os outros como bem entendem.

E, antes que as mulheres sejam culpadas pela criação desses homens, vale lembrar que elas, também, foram influenciadas por essa visão de mundo - principalmente se forem brancas. A questão da educação é mais do que ter modos a mesa e saber usar o garfo correto na hora do jantar - é muito vívida na mente a cena do filme Titanic, quando Jack é convidado para jantar na primeira classe e é absolutamente desprezado pela mãe de Rose.

A ideia do macho alfa, muito determinante da masculinidade tóxica é também um dos elementos que colaboram para esse tipo de comportamento. Como um todo, a ideia de que o homem precisa ser "machão", "grosseirão", para se impor e, desse forma, ser legitimado como tal é grande - e os efeitos que isso tem, de forma superficial, culminam em eventos como esse, de uma resposta atravessada para o valet do restaurante, um grito com um funcionário aparentemente sem motivo, até uma situação mais séria como um assédio moral.

A conversa sobre um homem "mal-educado" é bastante ampla e depende de muitos critérios, com certeza, mas é interessante pensarmos pelo viés comportamental, como uma resposta a uma construção social que, boa parte das vezes, determina comportamentos tidos como naturais, mas que, no fundo, são condicionados.

Qualquer que seja o caso, a sabedoria do Twitter tem toda razão: não adianta todos os recursos e fama do mundo e destratar elementos essenciais para a vida em sociedade. Outro sábio já disse que "nenhum homem é uma ilha" e, de fato, sem outros não somos nada.

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