Ana Hikari critica "yellowface" em novela da Globo: "Difícil defender"

Foto: Divulgação/Globo
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Ana Hikari não deixou passar batido e chamou a atenção da Globo após as redes sociais da emissora divulgarem que a novela das 19h, "Cara e Coragem", terá uma cena inspirada na cultura oriental apenas com atores brancos. Sem medo de represálias, a atriz, que é descendente de japoneses, comentou publicamente que "fica difícil defender" a empresa que trabalha.

"Poxa gente... assim fica difícil te defender, Glô. Faz isso comigo não", disparou Ana, uma das protagonistas do seriado "As Five", em uma publicação do Gshow no Instagram.

Nesta sexta-feira (5), no Twitter, a atriz ainda compartilhou vídeos de ativistas sobre o assunto e usou emojis de palhaço para dizer que se sente assim na foto do crachá quanto vê a emissora cometendo esse tipo de erro em seus produtos.

"Esse emoticon é a minha foto do crachá de atriz contratada da casa cada vez que a empresa faz uns yellowface/whitewashing/abordagens racistas e eu tenho que fingir que tá tudo certo. Lembrando que isso não é um ataque pessoal a nenhum ator ou atriz, ok? Essa questão é muito maior do que uma questão individual", justificou.

Na cena criticada por Ana Hikari, os protagonistas Marcelo Serrado e Paolla Oliveira interpretam dublês de Ana Clara e Bruno de Luca em um set inspirado na cultura oriental. A falta de artistas amarelos chamou a atenção não só de Hikari. Muitos internautas falaram sobre apropriação cultural e lamentaram o fato de Paolla, Marcelo, Ana Clara e Bruno estarem "fantasiados".

Histórico de ativismo

Esta não foi a primeira vez que Ana Hikari se posicionou e chamou atenção da emissora em suas redes sociais. Em 2021, a atriz apontou um erro no programa "Mais Você", apresentado por Ana Maria Braga. Na ocasião, um funcionário pintou o rosto e reproduziu o "yellowface" para homenagear a repórter Juliane Massaoka, descendente de japoneses.

Em entrevista exclusiva ao Yahoo, a atriz diz que falar sobre o que a incomoda faz parte do seu temperamento. "Sempre fui uma pessoa que se posicionava, independente da carreira artística. Não é porque eu sou contratada que vou passar pano pra empresa, inclusive, eu vou questionar mesmo!", diz ela.

Assim que entrou na emissora, Hikari confessou que sentia medo de como suas opiniões iam repercutir . Depois, ela entendeu que era do interesse da própria Globo que ela se manifestasse quando enxergasse algo problemático.

"A diversidade e a representatividade tem que acontecer por trás. Tem que acontecer na sala de roteiro, na equipe de direção, nos cargos mais altos da empresa. Tem que ter essa representatividade lá nesses lugares porque aí a representatividade da empresa vai crescer de dentro pra fora", defende.

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