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Vida E Estilo

Chega aos cinemas ‘Benzinho’, filme para assistir com a mãe

Diego Olivares
Yahoo Vida e Estilo
(Imagem: divulgação Vitrine)

“Ser mãe é ir de um extremo ao outro da emoção no mesmo dia”. A frase é de Karine Teles, protagonista de ‘Benzinho’, filme que escreveu ao lado do diretor Gustavo Pizzi e chega aos cinemas nesta quinta-feira. Ela interpreta Irene, mulher que passa por um turbilhão de sentimentos diferentes ao receber a notícia que o filho mais velho Fernando (Konstantinos Sarris) irá se mudar para Alemanha como novo contratado de um time de handebol.

No longa, o anúncio desnorteia a mãe. A cena deste momento é emblemática: o adolescente chega eufórico na mesa de jantar da família para contar a novidade e, enquanto comemora com os irmãos e o pai (Otávio Muller), a câmera flagra o rosto perplexo de Irene, enquanto uma cacofonia preenche as caixas de som. É o barulho de algo sendo demolido dentro dela, como de alguma forma aquilo lhe tirasse o chão.

É apenas uma das muitas metáforas presentes em ‘Benzinho’. A própria casa onde a família vive está prestes a ruir, com problemas no encanamento e uma porta que não abre mais, forçando todas a entrarem e saírem pela janela. Além de indicar que é hora de uma mudança na vida daquelas pessoas, independentemente de sua vontade, é um flerte do filme com um realismo fantástico, algo tão comum no cotidiano de nosso país.

Este elemento também se faz presente nas imagens do filho do meio que anda para cá e para lá carregando uma tuba gigantesca, e no sonho do pai em reativar uma pista de esqui em pleno estado do Rio de Janeiro – algo que, por incrível que pareça, existe de verdade, na cidade de Teresópolis.

Apesar de ser uma história capaz de fazer com que qualquer pessoa se identifique – prova disso é a recepção calorosa que a produção vem recebendo em festivais internacionais importantes como Sundance (EUA) e Roterdã (Holanda) -, ‘Benzinho’ capta com exatidão muito da alma familiar brasileira.

Além do pai pretensamente empreendedor, sempre com uma ideia mirabolante para tentar abrir um negócio, e da mãe apegada às crias, há a tia (Adriana Esteves) que sobrevive fazendo quentinhas e busca refúgio na casa da irmã após ser agredida pelo marido, além do amigo que ouviu de um conhecido que tal pessoa foi para o exterior e disse “nunca mais voltar para este lugar”. Este retrato social é feito sem alarde, mas está inegavelmente ali. Sem a pretensão de levantar bandeiras, sob um olhar mais afetuoso do que propriamente crítico.

Afinal, de afeto toda mãe entende. Entre o orgulho e a melancolia por ver seu primogênito voar para fora do ninho, a atuação de Karine Teles traduz um sentimento difícil de colocar em palavras, mas que o filme todo (e a última cena em especial) transmite muito bem.

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