Amigos do clítoris: sex-shops focados no prazer da mulher ganham voz no Brasil

Marcela Zanetti
Foto: Getty Images
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Se você frequenta ou já foi a um sex-shop, deve estar acostumado a ver apetrechos chamativos e nada discretos. Em pleno 2019, os objetos de prazer ainda estão enquadrados em um cenário que relaciona o estímulo sexual solo ao promíscuo e, além de tudo, dissemina a ideia de que mulheres que se masturbam com a ajuda de brinquedos automaticamente estão substituindo seus parceiros. Apenas parem com essas ideias!

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Mas até aí, nenhuma novidade para quem é mulher, não é mesmo? Contudo, boas coisas ainda podem florescer de uma indústria (que insiste) em se voltar para o homem. Há quatro anos, Clariana Leal comanda o Climaxxx, primeiro sex-shop brasileiro voltado apenas para o prazer feminino.

O primeiro do Brasil

Clariana Leal. Foto: Reprodução/Instagram (@clarisleal)
Clariana Leal. Foto: Reprodução/Instagram (@clarisleal)

“Uma amiga (Larissa Ely) viu que o mercado era completamente hiperssexualizado, com o prazer voltado completamente para o homem e assim caímos nesse mundo”, conta Clariana, que sempre teve talento para dar conselhos amorosos aos amigos.

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Com o objetivo de democratizar o prazer — sim, ainda nas mãos de poucos — Clariana e a sócia Larissa tentam fazer com que suas clientes consigam alcançar o orgasmo e conheçam seus próprios corpos.

Como começar?

Pode parecer básico, mas a frustração por conta do orgasmo que nunca vem é uma das dúvidas mais frequentes. “Uma das perguntas que mais recebo é: ‘Estou quebrada? Não estou tendo orgasmos com meu marido.”

E a dica nesses casos, principalmente para a mulher que nunca se masturbou e quer adentrar o mundo do prazer é ter paciência. “É importante que a mulher não se cobre. Comece com pequenas atitudes e sempre estimule o clítoris, já que ao contrário do que muitos pensam, é uma das fontes mais fortes no prazer da mulher.”

Nesse sentido, o conselho é escolher um bullet, um tipo de vibrador menor e feito especificamente para a região do clítoris.

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super bullets contra o baixo astral! wolverine teria inveja ✨

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“Faço muitas pesquisas de campo, sigo educadores sexuais do mundo inteiro, principalmente da Alemanha e dos Estados Unidos. Como não é uma indústria regulamentada, sou muito muito chata com o que entra e absolutamente tudo o que está no site eu já testei”, avisa.

E a partir daí, você pode continuar a jornada e ir mais a fundo. Brinquedos como o Satisfyer, que faz sucções no clítoris, e o clássico rabbit podem ser o caminho para expansão do conhecimento e prazer.

“Empoderadas? Não gostamos dessa palavra”

Dildos Alpina e Depth. Foto: (Nova Panty/ Divulgação)
Dildos Alpina e Depth. Foto: (Nova Panty/ Divulgação)

Foi assim que se definiram Lola e Iza, nomes à frente da Nova Panty. O e-commerce surgiu da necessidade de encontrar algo que fosse confortável para as duas. “Fomos casadas por 10 anos e tínhamos uma experiência muito frustrante em relação à brinquedos eróticos”, conta Lola.

Dessa maneira, a dupla decidiu criar seus dildos (pênis de borracha) e colocá-los a venda, com a condição de que que não fossem nada falocêntricos – focados no órgão masculino. ” A nossa ideia era criar brinquedos que fossem bonitos e funcionais”, explica.

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“Decidimos fazer uma marca de strap-on (cintas penianas), mas pensamos que não adiantaria se não desenvolvêssemos os dildos”, explica Iza. No fim, as duas chegaram a conclusão de que de nada faria sentido se não houvesse uma curadoria especificamente focada no prazer feminino e assim nasceu o site, que atualmente também conta com contos eróticos e um podcast para tirar dúvidas de mulheres sobre autoconhecimento e sexo.

E nada de elementos masculinos por aqui, viu? Inspirados em elementos botânicos como plantas e até pinhas encontradas por aí, os dildos da Panty Nova são repletos de texturas que incitam o prazer feminino.

Vem conhecer um pouco no vídeo abaixo:

Mãe e filha testando vibradores juntas

Foto: Reprodução/Instagram (@luanalumertz)
Foto: Reprodução/Instagram (@luanalumertz)

Quando Luana Lumertz e sua mãe quiseram embarcar em um novo empreendimento, nunca imaginariam que um sex-shop seria o resultado da empreitada. “Muita gente estranha e acha engraçado o fato de minha mãe ser minha parceira em uma empresa desse cunho, mas nossa relação é muito aberta e isso torna o negócio mais divertido”, conta.

E foi ao ajudar a mãe a encontrar um vibrador que o empreedimento vingou. “O psiquiatra indicou que ela comprasse um vibrador para sentir o próprio prazer e quando ela chegou em casa com o primeiro vibrador foi muito engraçado, porque somos íntimas mas nem tanto, né? Foi aquele estranhamento, mas hoje testamos todos os produtos e rimos dos feedbacks”, conta aos risos.

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Além da boa relação em família, Luana explica que a marca Egalité foca em pessoas. “Não queríamos um sex-shop apenas para mulheres e sim um sex-shop que englobasse o prazer de todo mundo, não importa se você é hétero, gay, bissexual, homem ou mulher. O importante é que ali você vai achar uma forma de prazer”, avisa.

O mais legal, é que Luana atingiu sua clientela por meio de dicas. “Criei um canal de pequenos conselhos e assim fui montando minha atingindo meu público. E, ainda hoje, pelo menos uma vez por dia uma mulher me pergunta como pode atingir o orgasmo”. Você pode conferir o canal dela aqui: