Alt TikTok: o lado ativista, queer e de gosto duvidoso da plataforma

Diz-se que a comunidade alt TikTok é a responsável por esvaziar o estádio onde aconteceria um comício de Donald Trump (Foto: Philippe LOPEZ / AFP/Getty Images)

Impossível você ter um perfil nas redes sociais e não saber o que é o TikTok. A rede, uma das mais populares do momento, tem seus vídeos publicados em diversas outras plataformas - um bom exemplo é o do “tal sedutor". Porém, também como boa parte da internet, o aplicativo tem uma subcultura que se mostra cada vez mais politizada, forte e que leva o seu ativismo para o offline. É o chamado Alt TikTok. 

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Aliás, esqueça por um minuto os garotos de 20 e tantos anos sem camisa seduzindo as meninas mais novas, as danças de casal e as dicas de como cuidar de casa. Virando a esquina e descendo a rua após o chamado "straight TikTok" você entra nos escuros becos do mundo alt, também conhecido como "Elite TikTok". 

Ali, nada de danças bonitinhas, tanquinhos masculinos ou transformações com maquiagens perfeitas. Pelo contrário, você encontra em sua maioria adolescentes fazendo chacota dos passinhos coordenados e dos memes do momento, criando perfis para objetos inanimados (como lojas de departamento) e outros vídeos de conteúdo, no mínimo, duvidoso. 

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Acredite, muitas das tendências que você vê bombando no TikTok "comum" surgiram primeiro no alt TikTok, fruto da criatividade (muitas vezes estranha para nós, os "mais velhos") de adolescentes que só querem se divertir e não têm nenhuma pretenção com seus perfis nas redes - ao contrário de gerações como a millennial, que já criou o hábito de olhar para a internet como um meio de autopromoção proposital. 

Acontece que, enquanto essas tendências surgem de lá, elas acabam virando piada no meio, já que são apenas uma forma de mostrar como as pessoas que tentam parecer parte do alt TikTok, na verdade, não têm nem ideia direito do que seja. 

Alt TikTok: um ambiente queer e racial

Tem um motivo para os posts mais comuns e populares da plataforma serem chamados de "straight TikTok". "Straight" significa hétero em português e faz alusão ao fato de que boa parte dos "fundadores" do Alt TikTok serem membros da comunidade LGBTQ+ e da comunidade preta (muitas vezes, dos dois), o que torna o lado politizado tão forte ali dentro também.

O straight TikTok, portanto, virou uma forma de identificar as pessoas heterossexuais e em sua maioria brancas que criam conteúdo na plataforma com a intenção de viralizarem ou ganharem popularidade por conta do seu padrão de beleza, por exemplo. 

Por ali, além de todas as zoeiras costumeiras, brincadeiras com o boneco Elmo, da Vila Sésamo, e áudios que não fazem sentido algum, você encontra pessoas engajadas que não têm medo de usar o seu poder de acesso à internet em nome de causas que fazem sentido para comunidade.  

O caso recente envolvendo um comício do atual presidente norte-americano, Donald Trump, é creditado também a esse grupo, que começou uma movimentação no TikTok e se uniu a cada vez maior e mais forte fanbase de K-Pop para esvaziar os assentos de um estádio que comporta 19 mil pessoas. No evento, compareceram apenas 6 mil, mesmo os ingressos tendo esgotado.

O ponto que isso levanta é o poder de uma comunidade de adolescentes engajados, seja por meio dos vídeos estranhos (para quem vê de fora) do TikTok ou por acompanhar de perto grupos musicais de um país do outro lado do mundo. E como esses dois públicos, combinados, conseguem fazer um estrago e tanto. 

Há de se duvidar de muita coisa quando se fala na comunidade alt - por exemplo, o fato de ridicularizar pessoas, de fazer comentários que parecem elogios, mas são críticas disfarçadas, e até de interferirem de forma tão aparentemente direta em um processo de eleição presidencial. Mas também é possível olhar com curiosidade para ver o que os livros de história vão falar, no futuro, sobre uma subcultura que, até agora, já foi comparada com os punks dos anos 1960.