Allan dos Santos é condenado por calúnia em vídeo sobre 'Queermuseu'

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Allan dos Santos, o blogueiro bolsonarista que já teve perfis nas redes sociais banidos pelo Supremo Tribunal Federal, foi condenado na última quarta-feira pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, o TJ-RS, a um ano e sete meses de prisão em regime inicial aberto após caluniar a a cineasta Estella Renner, ligada à produtora Maria Farinha Filmes.

O crime aconteceu numa fala dele em um vídeo de 2017 no canal Terça Livre, quando comentava a polêmica exposição "Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira", realizada em Porto Alegre pelo Santander Cultural, defendida por Renner.

Na ocasião, Allan dos Santos expôs o nome dela, acusou a diretora de querer "botar maconha na boca dos jovens", além de citar que artistas que apoiam a exposição eram favoráveis à pedofilia e zoofilia. Ele cita ainda que a artista teria destruído "a família e a vida de nossas criancinhas".

A decisão tomada em segunda instância veio após Renner recorrer da decisão contra o blogueiro na instância inferior, que tinha absolvido Allan dos Santos dos crimes de difamação e calúnia. Dessa vez, o acórdão 1ª Câmara Criminal foi feito por unanimidade. Nesse tipo de condenação, o jornalista poderia trabalhar durante o dia, mas à noite teria de ficar detido.

Contatada pela reportagem, a defesa do jornalista disse que o recurso de Renner partiu de "frases 'pinçadas' e descontextualizadas para imputar crimes contra a honra às críticas do jornalista", que já teria sido absolvido duas vezes em primeira instância, e que as críticas no dito vídeo seriam direcionadas a diversas entidades, como a Fundação Santander Cultural --portanto, pessoas jurídicas, ressalta a defesa, e não seria uma crítica direcionada a Renner.

Nos autos do acórdão, porém, as aspas já citadas aparecem direcionadas a Renner, e também ao Instituto Alana, que tem uma parceria com o portal Catraca Livre --que, sublinha a defesa, já teria publicado diversas reportagens favoráveis ao uso de maconha. Por outro lado, o problema com a cineasta seria devido a ela ter dirigido um documentário que defende a chamada "ideologia de gênero", na visão do condenado, uma "mera performance coletiva imposta pela sociedade".

Atualmente, Dos Santos mora nos Estados Unidos, e está foragido após o STF determinar a prisão preventiva do blogueiro na investigação que apura uma suposta organização criminosa para a produção de fake news contra ministros da Suprema Corte.