Alimentos fritos podem estar matando você, diz um novo estudo. Aqui estão os piores vilões.

Cuidado com o peixe frito

Não é nenhum segredo que frituras não são boas para a saúde. Mas um novo estudo publicado no The BMJ detalha exatamente como esses alimentos podem afetar sua saúde, ao longo do tempo – e aponta quais tipos podem ser os piores.

“As pessoas sabem que alimentos fritos podem ter resultados adversos na saúde, mas há muito pouca evidência científica para demonstrar quais são os resultados adversos de longo prazo, por causa do consumo de alimentos fritos”, diz o Dr. Wei Bao, professor assistente de epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Iowa, e coautor do estudo. “Em geral, descobrimos que o consumo de frituras está associado à mortalidade, no geral”.

Os pesquisadores analisaram cerca de 20 anos de dados de quase 107 mil mulheres idosas nos EUA, com idades entre 50 e 79 anos. Todas as mulheres faziam parte do estudo da Iniciativa de Saúde da Mulher e preencheram um questionário detalhado sobre seus hábitos alimentares nos anos 90. A saúde das participantes foi monitorada por pesquisadores até 2017 e, durante esse período, mais de 31.500 delas morreram.

Aquelas que relataram comer pelo menos uma porção de alimentos fritos por dia apresentaram uma chance 8% maior de morrer mais cedo, em comparação com as mulheres que disseram não comer nenhuma fritura, de acordo com o estudo. Elas também apresentaram uma chance 8% maior de morrer especificamente de doença cardiovascular.

No entanto, o consumo de alimentos fritos não parece corresponder a um risco maior de morte por câncer, apesar de algumas pesquisas anteriores terem feito essa ligação. “Sabemos que a dieta é importante para a prevenção do câncer ou a sobrevivência ao câncer, mas nem todos os componentes da dieta [parecem ser igualmente importantes]”, diz Bao.

Frango frito e peixe frito eram mais fortemente ligados à morte precoce do que outros alimentos fritos, que os pesquisadores agruparam em uma categoria variada, incluindo batatas fritas, biscoitos, tortilhas e lanches. Mas essa associação pode ser simplesmente porque as pessoas consomem mais frango ou peixe frito, diz Bao, ou por causa das diferenças na forma como esses alimentos são preparados. Por exemplo, muitos restaurantes reutilizam óleo quando cozinham alimentos como frango frito, o que, segundo Bao, pode aumentar o número de subprodutos nocivos transferidos para a comida. As carnes também tendem a ser mais fritas do que muitos salgadinhos.

No entanto, essa descoberta (infelizmente) não isenta as batatas fritas. Desde que as batatas fritas foram agrupados em uma categoria variada, os pesquisadores não conseguiram analisar especificamente como as batatas fritas afetam a saúde, individualmente – e é possível que seus riscos fossem obscurecidos por alimentos comparativamente mais saudáveis agrupados ​​na mesma categoria, como bolachas ou banana da terra frita, diz Bao. Pesquisas anteriores ligaram batatas fritas ao câncer e a um maior risco de mortalidade.

Ainda assim, Bao diz que seu estudo é um dos primeiros a observar como a ingestão de qualquer tipo de alimento frito afeta o risco de mortalidade, ao longo do tempo. O único outro estudo do tipo que ele teve conhecimento foi conduzido na Espanha, em 2012, e não encontrou uma correlação entre alimentos fritos e um maior risco de morte. Isso talvez se deva ao fato de que mais espanhóis preparam a comida em casa, em vez de comer em restaurantes, e escolhem óleos de fritura mais saudáveis, como o azeite de oliva, diz Bao.

No novo estudo, os pesquisadores levaram em conta fatores como o histórico médico, demografia, tabagismo, hábitos de consumo de bebida e qualidade geral da dieta, em um esforço para isolar os efeitos dos alimentos fritos. Mas um estudo observacional não é capaz de provar causa e efeito, e os autores apontam que é impossível descartar o impacto de outros fatores que afetam a saúde.

Outra limitação do estudo é que ele apenas avaliou os hábitos alimentares uma vez, por isso não refletiu como as mulheres podem ter mudado suas dietas ao longo do tempo. No entanto, Bao diz acreditar que os resultados são suficientemente concretos e provavelmente se aplicam a outras populações além de mulheres mais velhas, embora os dados não abordem especificamente outros grupos.

“Não temos nenhuma razão para acreditar que os efeitos diferem conforme a idade ou o gênero”, diz Bao. “Suspeito que essa associação pode ser semelhante entre as mulheres mais jovens ou até entre os homens”.

Muitos outros estudos ligaram os alimentos fritos a problemas de saúde, incluindo obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas, mas os pesquisadores estimam que quase 40% dos americanos comem fastfood no dia a dia.

Jamie Ducharme

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