Alexandra Gurgel desabafa após sofrer gordofobia ao usar biquíni: 'Amo meu corpo"

(Foto: Reprodução/ Instagram @alexandrismos)

Alexandra Gurgel pode não ser um nome comum para você, mas que merece sua atenção. Jornalista de formação, ela também é digital influencer (siga já o @alexandrismos) e ativista do body positivity, que luta para que cada vez mais as mulheres aceitem seus corpos do jeito que são.

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Alexandra Gurgel é digital influencer e ativista feminista e body postive (Reprodução / Instagram @alexandrismos)

Durante uma viagem ao Maranhão no começo desta semana ela fez a foto acima e na legenda retratou um caso de gordofobia - preconceito ao corpo gordo - no exato momento do clique: “Na hora que tirei essa foto algumas pessoas apontaram pra mim e riram de uma gorda posar sensualmente de biquíni. Porque é tão surpreendente ver uma gorda que se ama, que tem orgulho do corpo e que tira fotos dele, posa, coloca biquíni mesmo, que não se esconde?”, questionou.

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Na tarde desta sexta-feira (21), ela falou mais sobre o ocorrido. “Imagina você em uma viagem com um monte de gente que teoricamente é igual a você. Tem os mesmos direitos que você, que foi convidado também. Está todo mundo fazendo pose, ficando bonita para postar no Instagram. E você está ali e é a única gorda do rolê - na verdade tinha outra mana gorda que nem me aproximei muito - mas eu era a única que estava ali colocando o corpo para jogo. Fazendo pose mesmo. E as pessoas me apontam, me zoam e riem de mim.”

Opressão não é diversão

Ser feminista, empoderada, body postive influcencer não significa que a pessoa é bloqueada aos sentimentos. “Fiquei muito mal, é óbvio que ia ficar mal. Tem gente me apoiando, dizendo que não que entende, mas tem gente que não entende que gordofobia não é piada. Deixar uma pessoa desconfortável com o corpo dela. tornar o copo dela uma vergonha alheia para que os outros riam. Vocês acham que isso é engraçado? Que é legal? Sou militante! Amo meu corpo! Mas você acha que é legal ser zoada? Acham que isso é engraçado? Que é legal? Tenho orgulho do meu corpo. Orgulho de quem eu sou. ´Óbvio que chorei. Teve essa situação, mas também tiveram outras situações. Me senti mal por chorar, mas não por eu ter vergonha do meu corpo.”

Gratidão

Na cidade para participar do São João da Thay, um grande evento junino beneficente em prol da Unicef, realizado pela digital influencer Thaynara OG, Alexandra explicou que não estava chateada com a colega. “Amei conhecer o Maranhão e essa situação específica não tem nada a ver com eles. Tem a ver com pessoas que foram convidadas e que se acham superiores por terem milhares de seguidores. Te olham de cima a baixo. Uma pessoa gorda que fica mostrando o corpo, pelada como eu. No meio dessa galera eu não ficava coberta em nenhum momento. Estava sempre com a barriga de fora, o biquíni enfiado na bunda. Sei disso e faço de propósito.”

Transferência de culpa

Alexandra também contou eu se sentiu incomodada por não poder relatar a opressão para não criar um mal estar - e até chorou de raiva! “Raiva de não fazer nada por que eu queria muito fazer alguma coisa na hora e pensei: Vou ferrar o rolê. E vou ser a feminista idiota que não deveria ser convidada. E para mim foi uma coisa muito legal ter sido convidada e ocupar aquele espaço. Ser a pessoa que sou sem vergonha nenhuma. Me senti muito deslocada e oprimida. Acho que ninguém gosta de ser zoada, apontada, se sentir errada, que deveria se cobrir ou ser diferente para se encaixar ou ser aceito. É muito foda a opressão. É muito foda, no final das contas, eu me sentir mal por falar essas coisas, como se eu fosse uma ingrata. A pessoa que está reclamando e deveria estar calada. Me sinto errada, mas eu não estou errada.”