Alerta Carnaval: Saiba como denunciar casos de assédio e onde procurar ajuda

Bloco Tarado Ni Você – Foto: Reprodução/Facebook Bloco Tarado Ni Você
Bloco Tarado Ni Você – Foto: Reprodução/Facebook Bloco Tarado Ni Você

Por Milena Carvalho

O Carnaval, para a maioria das pessoas, é sinônimo de festa e diversão. É aquela época do ano em que diversos brasileiros saem às ruas para se fantasiar, curtir com os amigos, ouvir músicas típicas e comemorar a folia. No entanto, infelizmente, alguns acham que esse período serve somente para passar dos limites com as mulheres e se aproveitam da farra para cometer assédio. Seja um beijo forçado, “apenas” uma cantada ou até crimes mais graves, os casos de abuso costumam subir ainda mais durante os dias de festa.

Em 2017, segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal, o número de denúncias de violência sexual subiu quase 90% nos quatro dias de Carnaval, em relação ao ano anterior. Para incentivar mulheres a registrarem esses episódios, muitas organizações femininas têm criado campanhas de ajuda pelo Brasil.

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Conheça algumas dessas redes, saiba como elas podem te auxiliar e veja quais são as principais formas de denunciar casos de assédio durante a data comemorativa:

• Campanha #AconteceunoCarnaval: Pelo número (81) 99140-5869, por meio do WhatsApp, mulheres de Olinda e Recife, no Pernambuco, podem pedir ajuda caso tenham sofrido algum tipo de assédio. No Carnaval de 2017, foram recebidas 66 denúncias de toques nas partes íntimas ou beijo forçado. A iniciativa, que partiu das redes Meu Recife e Mete a Colher, ganhou apoio de outras organizações pelo país e tem registrado queixas de brasileiras de vários Estados, inclusive pelo site. Elas são orientadas a fazer as denúncias e como fazê-las – onde devem ir, o que precisam informar, entre outros detalhes. No Carnaval de 2017, o número recebeu 66 denúncias de toques nas partes íntimas ou beijo forçado.

Campanha #ApitoContraOAssedio: Criada pela foliã Lia Marques e amigas de São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo, e patrocinada pela marca de cervejas Skol, a campanha nasceu em 2016 também com intuito de ajudar mulheres no Carnaval. A ideia é distribuir apitos para que elas possam alertar umas às outras caso sejam vítimas ou avistem um episódio de assédio. Se você vai para a folia esse ano, vale seguir a mesma iniciativa e compartilhar com as colegas. Assim você ajuda o próximo e evita com que mais casos aconteçam.

Ligue para o 180 e denuncie: A Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência funciona pelo número 180 durante 24 horas nos sete dias da semana – inclusive em feriados. Oferecido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres desde 2005, o serviço gratuito garante anonimato e tem como objetivo ajudar aquelas que denunciam abuso sexual e/ou qualquer outro tipo de violência contra a mulher. Além disso, também funciona para quem está no exterior, ou seja: se você estiver pulando Carnaval fora do país em uma daquelas festas realizadas para brasileiros e for vítima de assédio, não hesite em telefonar e registrar uma queixa.

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Ou ligue para o 100 (e também denuncie): Costuma-se pensar que só mulheres sofrem com assédios e abusos durante o Carnaval, mas muitas meninas menores de 18 anos também passam pela mesma situação. Para casos como esse existe outro número de telefone, o 100, um serviço especializado em violências cometidas contra crianças e adolescentes. Explique a situação ocorrida e, assim, você ou alguma conhecida poderá ser ajudada.

Vá até uma Delegacia da Mulher: Se você foi assediada ou sofreu algum tipo de crime sexual, vá assim que possível a uma Delegacia da Mulher. Lá você poderá receber atendimento especializado – ser atendida por uma mulher, por exemplo – e abrir um boletim de ocorrência. Em episódios de estupro, caso haja interesse em ver o agressor ser processado criminalmente, deve-se fazer uma representação, além do reconhecimento visual. Pode ser exigido também um exame de corpo de delito e, em casos de estupro com penetração, serão tomadas medidas de profilaxia, como a entrega gratuita da pílula do dia seguinte e medicamentos anti-retrovirais. É importante que, independente do ocorrido, as mulheres completem a denúncia até o fim do processo, tanto para que o criminoso seja punido quanto para fins de estatísticas.

Ou procure uma delegacia qualquer: Se não for possível encontrar uma Delegacia da Mulher, não deixe de registrar a ocorrência. Apesar de preferirem o serviço especializado – já que, em alguns casos, nas delegacias convencionais vítimas foram de alguma forma culpabilizadas pelo crime ou não foram atendidas da maneira esperada –, as mulheres têm todo o direito de oficializar a denúncia e receber ajuda após um caso de assédio. Os procedimentos tomados serão os mesmos do que em um local de apoio único às mulheres.

• Peça a ajuda de pessoas à sua volta: Um pedido de socorro na multidão sempre é válido e ajuda muito. Se receber uma cantada, um beijo forçado ou perceber algum indivíduo se aproximando de forma suspeita no meio do bloquinho, não hesite em gritar por ajuda. Muitas pessoas podem te auxiliar nesse momento, seja oferecendo apoio ou até mesmo procurando policiais em um local mais próximo. O importante é não deixar que o criminoso fique impune!

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