Alagoanos no topo: um bate-papo com Brenda, do São Paulo

(Foto: Reprodução/Instagram)

Josué Seixas (@josue_seixas)

Eram três meninas que jogavam muito futebol. Geyse (21 anos – Benfica), Ingryd (22 anos – Corinthians) e Brenda (21 anos – São Paulo) não imaginavam que sairiam de Maceió para chamar atenção no país inteiro. A última a ser entrevistada pelo Yahoo! Esportes é Brenda, que começou a ensaiar seus dribles no projeto Craques do Futuro, no meio de meninos. Segundo ela, ter começado entre eles foi essencial para desenvolver suas habilidades.

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Um ano depois, técnicos perceberam que a menina tinha talento e a chamaram para jogar futsal, onde conheceu Geyse e Ingryd. O time se chamava Arepa. Com o tempo, Brenda também descobriu que iria se firmar como atacante. Era zagueira, foi ganhando opções e preferiu o ataque. 

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Brenda morava no bairro da Brejal, local perigoso na capital de Alagoas. A realidade dela e das outras mulheres era compartilhada, porque tinham que superar várias dificuldades – a distância para o campo, uma alimentação correta e até mesmo a intensidade dos treinos. 

Confira o bate-papo exclusivo:

YAHOO: Brenda, como foi o seu começo aqui em Alagoas?

BRENDA: Meu começo em Alagoas foi jogando com meninos, no Craques do Futuro, que era um projeto. Um ano depois, e fui para o futsal, onde tive a oportunidade de jogar com a Geyse (Benfica) e a Ingryd (Corinthians), pelo futsal, no time do Arepa. 

Eu, Geyse e Ingryd treinamos um bom tempo juntas, é verdade. Jogamos no Arepa, no futsal, e daí a gente jogou no UDA (União Desportiva Alagoana), que foi lá onde a gente foi vista. Faz muito tempo. Muitas portas se abriram. 

YAHOO: Como você avalia esse sucesso de vocês no futebol?

BRENDA: Bem, a Geyse foi para a Seleção. Tenho muito orgulho dessa menina por tudo que ela se tornou e por tudo o que ela passou e conseguiu superar. Hoje, está aí ganhando o mundo.

Ingryd e eu estamos conquistando coisas importantes também, jogando o Paulista, um dos campeonatos mais vistos do Brasil, onde a Ingryd está numa equipe grande, o Corinthians, assim como eu, no São Paulo. Não tem sentimento maior do que a gente estar realizando o que sempre sonhou e o que tanto pediu para Deus. Fico muito feliz por isso.

YAHOO: Começar a jogar futebol sendo mulher é muito difícil. Em Alagoas, por causa da distância dos grandes centros esportivos do país, deve ser ainda mais difícil. Qual sua avaliação?

BRENDA: Então, todos os começos de mulheres são muito difíceis. Só que a gente realmente teve um começo mais complicado porque estávamos em um lugar que não era tão visto, foi mais difícil, porém nunca deixamos de buscar. Em Alagoas, nós, mulheres, não somos vistas como deveríamos. Sonhávamos com isso, então vimos que a Marta conseguiu e acredito que isso foi uma força. Víamos que era possível buscarmos e conseguirmos também. Apesar das dificuldades, em todos os termos, não paramos de buscar e principalmente não paramos de acreditar em Deus, que é o principal dessa jornada.

Nossa vida em Alagoas sempre foi díficil. Nossa família sempre nos ajudou, mas não tinha muitas condições, então batalhavam muito para nos dar condições. Como outras e outras histórias, a nossa foi difícil. Sair de Maceió para ir em busca de um sonho foi muito difícil, porque passamos por muitas coisas.

YAHOO: Qual a parte mais difícil de ter saído de Alagoas?

BRENDA: Ficar longe da família, das pessoas que tanto amamos... Era o que sonhávamos e desejávamos, o futebol. Era preciso que superássemos tudo isso para conquistar tudo o que conquistamos hoje. São Paulo é um dos lugares mais vistos. É uma vida boa, uma vida tranquila, mas não deixa de ter as suas dificuldades. Em todo lugar haverá dificuldades. Comparando ao que passamos, é uma vida muito boa, ótima, graças a Deus.

Sobre alimentação, preparação, intensidade de treinos... É claro que é muito diferente de Alagoas. Fomos preparadas no começo para o agora. Quem joga futebol, sabe. Acredito que eu e todas nós nordestinas conseguimos superar, conseguimos as coisas que sempre desejamos e precisamos como atletas. Foi muito diferente, mas muito importante, que conseguimos nos adaptar.

YAHOO: E quando você viu que daria certo?

BRENDA: Eu vi que daria certo quando eu acreditei que eu seria capaz de chegar até aqui. Não porque eu acreditava em mim, mas porque tenho uma crença muito grande em Deus. Por eu crer tanto nele e sonhar com tantas e tantas coisas, desejar muito, eu corri atrás. Percebi que daria certo quando percebi que haveria um Deus maior do que eu e que todas as coisas. Ver hoje Ele cumprindo na minha vida tudo aquilo que eu pedi para ele e sonhei me fez enxergar que, sim, iria dar certo.

Muito importante ver jogadores do masculino como Firmino e Pedrinho, que passaram por coisas que passamos. Conquistaram e conquistam muito, mas passaram pelo mesmo que nós passamos. Que maravilha ver que Alagoas tem descoberto tantas e tantas jogadoras e jogadores. É uma prova que em todos aqueles lugares escondidos, nos interiores, têm sempre pessoas com qualidade e com futuro no futebol. Nós, do feminino, e o pessoal do masculino vem mostrando isso.

YAHOO: Está pensando na Seleção?

BRENDA: Eu procuro mais viver o momento e trabalhar o momento, me dedicar ao momento para que as oportunidades cheguem. Geyse, Ingryd e eu vamos buscar as melhores coisas e as nossas expectativas são grandes, porque sabemos da importância que é estar na Seleção, que é chegar em lugares altos. O futuro eu prefiro por na mão de Deus. Acredito que as meninas e eu trabalhamos muito para que, quando chegar o momento, conquistarmos mais esse objetivo. 

[Encontro com Marta] Falando sobre a Marta, conversamos pouco. Foi um sonho realizado meu e da Geyse. Acredito que ela tenha aberto muitos caminhos para todas nós, mulheres, no futebol. Sou muito grata por tudo, a ela, por todas as coisas.

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