Além de Sidney Poitier, só quatro negros ganharam o Oscar de melhor ator ou atriz

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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro homem negro a vencer o Oscar de melhor ator, Sidney Poitier, morto nesta sexta-feira (7), abriu caminho para que uma geração de artistas negros passassem a ter seus trabalhos reconhecidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a responsável pela entrega de um dos troféus mais importantes do cinema --o Oscar.

Não tem sido um caminho fácil, no entanto. Desde Poitier, somente quatro artistas negros levaram a estatueta de melhor ator ou atriz, tendo a última delas sido entregue há 14 anos.

O intervalo entre as premiações evidencia por que a Academia é até hoje acusada de falta de diversidade racial, o que frequentemente leva a protestos em Hollywood.

Poitier, que recebeu o prêmio em 1964 por "Uma Voz nas Sombras", só havia sido precedido na cerimônia por Hattie McDaniel --ela recebeu a estatueta de melhor atriz coadjuvante por "E O Vento Levou" em 1940. Conta a história que a atriz sequer pôde se sentar à mesa com seus colegas de elenco ou ser fotografada na companhia deles, o mesmo racismo que já a havia impedido de comparecer à estreia do filme.

Depois de Poitier, a Academia levou 19 anos para laurear um ator negro novamente, com a entrega da estatueta de ator coadjuvante para Louis Gossett Jr. por "Oficial e Cavalheiro", em 1983. Nos anos seguintes, outros quatro negros venceriam a mesma categoria: Denzel Washington, em 1990, por "Tempo de Glória"; Whoopi Goldberg, em 1991, por "Ghost - O Espírito do Amor"; e Cuba Gooding Jr., em 1997, por "Jerry Maguire - A Grande Virada".

Mas o troféu de melhor ator em si ainda demoraria 38 anos para voltar às mãos de um artista negro. Foi Denzel Washington, em 2002, que quebrou o intervalo de décadas ao interpretar um policial veterano e desonesto ligado à máfia russa responsável por treinar um jovem recruta em "Dia de Treinamento".

A mesma edição ainda marcou a indústria cinematográfica com o primeiro Oscar de melhor atriz entregue a uma mulher negra --Halle Berry, laureada por "A Última Ceia", em que ela interpreta uma mulher que se apaixona por um homem racista.

Três anos depois, em 2005, a Academia entregou a Jamie Foxx o prêmio de melhor ator por "Ray", que acompanha a trajetória de Ray Charles, o rei do soul, deficiente visual desde o nascimento, e a Morgan Freeman o de melhor ator coadjuvante por "Menina de Ouro".

Em 2007, foi a vez de Forest Whitaker ser reconhecido como melhor ator do ano por seu trabalho em "O Último Rei da Escócia", e de Jennifer Hudson levar a estatueta de melhor atriz coadjuvante por "Dreamgirls - Em Busca de um Sonho".

Desde então, a Academia não entregou o prêmio de melhor ator ou atriz a artistas negros.

Em 2010, Monique Angela Hicks, popularmente conhecida como Mo'Nique, levou a estatueta de melhor atriz coadjuvante por "Preciosa - Uma História de Esperança". Ela interpreta no filme a mãe da protagonista, uma adolescente que busca recomeçar numa escola alternativa após ter sido engravidada pelo pai duas vezes.

A mesma estatueta ainda foi entregue à Octavia Spencer em 2012 por seu trabalho em "Histórias Cruzadas", sobre mulheres negras que deixaram suas vidas para criar os filhos de famílias de elite brancas, e Lupita Nyong'o em 2013 por "12 Anos de Escravidão".

Em 2017, Mahershala Ali recebeu o prêmio de melhor ator coadjuvante por "Moonlight", e Viola Davis, por "Um Limite Entre Nós". Dois anos depois, em 2019, Ali voltou a receber a estatueta por "Green Book - Um Guia Para a Vida", e Regina King foi laureada por "Se a Rua Beale Falasse".

A penúltima edição do Oscar, de 2020, não premiou nenhum artista negro nas categorias de atuação. A última estatueta, de melhor coadjuvante, foi entregue em 2021 a Daniel Kaluuya por "Judas e o Messias Negro".

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