Jogador mais forte do mundo, Akinfenwa quer mais além do futebol

Colaboradores Yahoo Esportes
·5 minuto de leitura
Wycombe Wanderers' Adebayo Akinfenwa during the Sky Bet Championship match at the Madejski Stadium, Reading. (Photo by Tim Goode/PA Images via Getty Images)
Akinfenwa pelo Wycombe Wanderers na segunda divisão inglesa (Tim Goode/PA Images via Getty Images)

Adebayo Akinfenwa sabe não ser famoso pelo que mostra em campo. Aos 38 anos, o atacante inglês de ascendência jamaicana jamais atuou na Premier League. Na atual temporada, pela primeira vez na carreira está na Championship, a segunda divisão inglesa.

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Até agora, o atacante atuou apenas duas vezes pelo Wycombe Wanderers, time que perdeu todas as seis partidas do torneio até agora. O clube só não está em último porque o Sheffield Wednesday começou com punição de 12 pontos por problemas administrativos.

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Apesar do currículo modesto, Akinfenwa tem 1,5 milhão de seguidores entre Instagram e Twitter. Ele sabe que isso se deve a sua personalidade, carisma e ao aspecto físico que mais parece o de um halterofilista.

“As pessoas se levam a sério demais. Eu não tenho esse problema. Já passei por várias situações e decidi que o melhor é tentar ver a vida de maneira mais leve", afirmou ele ao Yahoo Esportes no início deste mês.

Dias depois, ele faria um vídeo se colocando à disposição da WWE (World Wrestling Entertainment, a maior companhia de luta livre do mundo) para participar do draft da empresa, que aconteceria na última sexta-feira (9). Isso fez tabloides britânicos como o The Sun especularem que o atacante poderia se transformar em lutador de telecatch, espetáculo em que as lutas são coreografadas e os resultados, combinados. Akinfenwa já havia dito no passado não descartar isso.

Não que ele pense no assunto agora. Apesar da idade, não planeja aposentadoria do futebol.

“Por que parar? Eu me sinto bem aos 38, estou em forma, tenho prazer em jogar. Só sinto falta das brincadeiras dos torcedores. Quando não é ofensivo, não me incomoda. Já ouvi muitas coisas", diz ele, ao lamentar os estádios vazios por causa da pandemia do novo coronavírus.

Mas nem tudo o agrada. Ele se queixou à Federação Inglesa de que nas semifinais dos playoffs da terceira divisão na última temporada, foi chamado de "búfalo gordo" por um funcionário do Fleetwood Town. Para o jogador, foi uma caracterização racista porque considera que um atleta branco com o mesmo biotipo físico não seria chamado dessa forma. Nenhuma punição foi aplicada pelas autoridades do futebol no país.

"Foi algo que outras pessoas do meu clube também ouviram e não foi uma brincadeira. O que realmente acredito é que se eu não fosse negro, ele não teria dito aquilo. Mas nós fomos lá e batemos no time deles", relembra, se referindo à vitória do Wanderers.

Suas brincadeiras nas redes sociais, a eloquência no discurso e pesar 103 kg (em 1,85 m) ajudaram a que se tornasse uma celebridade. A série de jogos Fifa para videogame o colocou como o jogador mais forte entre todos os listados.

Após a vitória no playoff final sobre Oxford United, em julho, ele deu hilariante entrevista com o acesso garantido. Disse estar desempregado (seu contrato estava expirando) e que qualquer treinador poderia lhe mandar uma mensagem no WhatsApp, especialmente se fosse Jurgen Klopp. Akinfenwa é torcedor do Liverpool desde criança.

Minutos depois, Klopp entrou em contato e o convidou para a festa do título inglês da equipe.

"Era uma brincadeira, mas já que ele me chamou, eu fui, claro!"

O Wycombe esticou seu acordo com o artilheiro até 2021.

A entrevista após o acesso era, na verdade, um desabafo. Quatro anos antes, ele havia sido um dos principais nomes do Wimbledon na campanha do acesso para a terceira divisão. Dias depois, foi dispensado.

"Essa história de ser forte, ir à academia e fazer musculação não começou porque eu queria chamar a atenção pelo aspecto físico. Começou por causa do futebol", explica.

Em 2007, ele quebrou a perna quando jogava pelo Swansea, clube de País de Gales que disputa os torneios da liga inglesa. O então veloz atacante pressentiu que teria de mudar o seu estilo de jogo para sobreviver no mundo da bola.

"Pensei: vou jogar mais próximo a área e brigando com os zagueiros para que meu desempenho não dependesse tanto da velocidade. Para isso, teria de ficar mais forte. Comecei a ir para a academia".

Começou a ganhar massa muscular e a chamar a atenção pelo aspecto em campo. Pelos gols também. São 230 na carreira, seguindo as contas do próprio Akinfenwa. Foram 40 pelo Wycombe até o momento.

"No início me incomodava um pouco com quem falava que eu desejava apenas chamar a atenção, que ninguém com meu peso poderia jogar futebol. Mas chegou uma hora que parei de me preocupar com isso e continuei indo à academia. Por que não?"

Apelidado de "a besta", ele escreveu uma autobiografia e lançou uma grife de roupas, a "Beast Mode" (Modo Besta). Seu jeito expansivo fez com que fosse convidado a fazer participações em programas de TV, comentários de jogos e participações em podcasts. Ele não esconde que gosta de estar na frente das câmeras.

"Há a possibilidade de fazermos um documentário. Não sei o que vai dar, mas estamos conversando com algumas empresas. É algo que me atrai", confessa.

E agora se abriu a janela do wrestling, se quiser. O problema é que Akinfenwa não se vê pronto para largar o futebol. Ele acha ter condições de continuar em campo, pelo menos por mais uma temporada. Porque não crê ser possível viver a mesma sensação que tem ao fazer um gol em qualquer outro emprego.

"Meu corpo vai me dizer quando parar. Não estou preocupado com isso. Depois de muito tempo, as coisas na minha vida estão indo bem. Vamos ver para onde isso tudo vai me levar. Qualquer coisa que eu fizer, vai ser no mesmo estilo 'besta' que tenho dentro de campo", finaliza.

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