Ainda precisamos de especiais do Roberto Carlos?

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O cantor no programa do dia 23: mais um (Reprodução)

Pensei em escrever sobre o tradicional programa de Roberto Carlos antes que ele fosse ao ar. Mas é sempre bom conceder o benefício da dúvida. Vai que, né? O programa de ontem teve novidades, uma audiência melhor do que a do ano anterior e agradou aos fãs do cantor. Porém, a pergunta do título desta coluna persiste: ainda precisamos de especiais do Roberto Carlos?

Artisticamente falando, RC tem um currículo fantástico. É autor – juntamente com Erasmo Carlos – de algumas das melhores composições do cancioneiro nacional. E é admirável que, em um país sem memória, ainda seja respeitado pelo público em geral. A questão, entretanto, é essa mesmice que se tornou o especial de fim de ano do cantor.

Há 42 anos Roberto tem seu especial garantido na grade da Globo (o único ano em que não o apresentou foi 1999, quando a sua mulher, Maria Rita, faleceu). E me desculpem os entusiastas, mas quatro décadas apresentando um show é um flerte com a mesmice. Não há repertório ou variação que dê conta. E no caso de RC, a coisa é particularmente mais grave porque o programa persiste no mesmo formato: orquestra + flores + ‘Jesus Cristo’ no final.

Você pode alegar: “mas ontem o programa cravou 25.1 pontos de média na audiência, 3 pontos a mais do que no ano passado”. E eu responderei: sim, você tem razão. O especial foi um sucesso. Uma audiência praticamente cinco vezes maior do que a do segundo colocado. Maravilha. Certamente ter trazido artistas como Ludmilla e Thiaguinho também ajudaram alavancar a audiência. E sobretudo mexer no desenho do programa foi uma tacada acertada. Todavia, esse não é o ponto.

Para mim, e acredito que para uma certa parcela de espectadores, o ‘Roberto Carlos Especial’ significa o marasmo no qual a Globo persiste em chapinhar. Tem sido, de certa forma, o mesmo problema de suas novelas do horário nobre. É o piloto-automático ligado, o que torna a locomoção mais tranquila, porém mais tediosa também. Seria legal ver a emissora ousando em especiais de outros artistas e mostrando um pouco mais de criatividade.

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P.S.: Perceba que não usei o termo “rei” em momento algum do texto. Esse negócio de “rei” e “rainha” é para quem tem vocação para súdito.

No Twitter: @telaplena