'Aguentamos dois anos de lojas fechadas', diz presidente do Magazine Luiza

Frederico Trajano, presidente-executivo do Magazine Luiza. Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

Segundo Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza, a varejista consegue manter suas lojas físicas de portas fechadas por mais dois anos se for necessário para conter a propagação do novo coronavírus. O executivo deu a declaração durante uma reunião virtual com acionistas ao apresentar os resultados financeiros da empresa no primeiro trimestre do ano.

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"Reforçamos caixa, emitimos debênture e fizemos descontos de recebíveis. Podemos fazer ainda outras ações do tipo, mas a perspectiva com abertura de lojas é mais positiva", disse Trajano, acrescentando que, em março, o saldo em caixa da empresa era de R$ 4,6 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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O Magalu anunciou nesta semana prejuízo líquido de R$ 8 milhões no primeiro trimestre de 2020. Além do fechamento de lojas, a varejista culpa o aumento de despesas, como a consolidação da compra da Netshoes, investimentos para melhorar o serviço e aquisição de novos clientes, pelo resultado.

A empresa estima que as lojas físicas deixaram de vender R$ 500 milhões enquanto permaneceram fechadas. Mas, ainda assim, Trajano é contra a reabertura enquanto a pandemia continua fazendo crescer o número de casos e de óbitos em todo o Brasil.

"O Brasil é talvez o único que está flexibilizando o isolamento numa hora em que os indicadores continuam subindo. Pelos nossos cálculos, serão mais 2 ou 3 semanas para atingir o pico. Acho que é cedo para baixar a guarda, então vamos seguir o nosso modelo de controle com 60 variáveis para decidirmos quando iremos abrir", afirmou o executivo a jornalistas, segundo informações do Valor Econômico.

"Acreditamos que essa decisão de reabertura tem que ser municipal. Há regiões que entendemos que pode ser cedo [reabrir lojas] e há outras até que já poderiam estar abertas e cabe ao município avaliar. Nós podemos abrir até depois do decreto, se não sentirmos segurança", declarou.

A pandemia, por outro lado, impulsionou o comércio digital, que cresceu 72,6% em relação ao primeiro trimestre de 2019, se tornando, pela primeira vez, responsável pela maior parte das vendas, com 53% do total dos primeiros três meses do ano. No último trimestre de 2019, essa fatia era de 48%.

O salto do comércio online levou as vendas totais no primeiro trimestre a crescerem 34% para R$ 7,7 bilhões. Espera-se que no segundo trimestre, cujos resultados só serão conhecidos em julho, a participação do ecommerce nas finanças da empresa seja ainda maior.

A Magazine Luiza, porém, destaca que há um "significativo desafio de rentabilização deste modelo mais monocanal. Isso porque as lojas físicas, que costumam gerar elevada contribuição positiva, estão fechadas e boa parte das despesas fixas das mesmas continuam existindo".

A companhia renegociou contratos e reduziu custos, mas não conseguiu compensar a queda de vendas nas unidades físicas. O custo do ecommerce também aumentou, sem a opção do cliente retirar a mercadoria adquirida online na loja física, que representava 40% das vendas da Magalu.

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