Agradar ao fã não é sinônimo de qualidade ou sucesso

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"Cowboy Bepop" e "Ascenção Skywalker" são exemplos de fanservice. Foto: Divulgação
"Cowboy Bepop" e "Ascenção Skywalker" são exemplos de fanservice. Foto: Divulgação

As últimas duas décadas foram tomadas pelas adaptações de quadrinhos, games, livros de fantasia e tudo que se imagina como cultura pop. Cinema e streaming abocanharam tudo que era possível e, na maioria das vezes, constataram que se decidir somente ao gosto do fã e à fidelidade ao material original não é uma receita de sucesso - mas alguns criadores parecem que ainda não conseguiram entender isso, talvez por que a internet e o barulho dos famigerados fandoms não.

A lição deveria ter sido aprendida de uma vez por todas com Ascensão Skywalker, maior fracasso criativo da história de Star Wars, que abraçou a parcela de fãs barulhentos e muitas vezes preconceituosos da série. 

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Adaptações como Cowboy Bebop, porém, mostram que ainda estamos longe de um mundo que entende adaptação como algo diferente da obra original, pois o que mais vemos hoje é uma transposição do material de origem para a tela. 

A série da Netflix é o mais recente exemplo de algo que atende perfeitamente GIFs, memes e vídeos de comparação com o anime, mas não se sustenta nem por um episódio - simplesmente porque não é uma adaptação, mas sim uma tentativa de cópia do desenho.

É compreensível, porém, a devoção dos estúdios a este tipo de iniciativa. As redes sociais potencializaram todo discurso possível, transformando inclusive hashtags como o SnyderCut em um filme de fato. Além disso, o fracasso de versões novas (Death Note) e antigas (Dragon Ball) para o cinema fortalece o discurso de "o fã é que manda em tudo", já que nestes casos a nova visão foi um fracasso completo. Até o final de Game of Thrones pode ser incluído aí, já que a HBO comandou o encerramento da saga até hoje não finalizada por Martin nos livros.

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De toda forma, não há um real motivo criativo para produtores continuarem a somente escutar a internet para fazer adaptações como Bebop ou Jupiter Ascending. Os exemplos positivos são muitos e até mais valorosos, como Watchmen da HBO, o antigo Constantine de Keanu Reeves, toda saga Marvel (que adapta muito livremente as HQs) e até os que a DC fez com Coringa e o novo Esquadrão Suicida. Se manter refém do barulho da internet é nada mais do que ser refém de um algoritmo que só segue a manada, e se a vontade é partir para uma nova fase de adaptações, é mais necessário provocar do que agradar o fã.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice

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