Agora crítico do fundão, Bolsonaro usou R$ 200 mil de verba pública em 2014

Bolsonaro em campanha para a Câmara Federal, em 2014 Foto: Reprodução - 18.set.2014/Facebook

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Embora endosse campanha pelo voto em candidato que não usa dinheiro público, na campanha a deputado em 2014, Bolsonaro usou R$ 200 mil do fundo partidário.

  • Naquela campanha, Bolsonaro era filiado ao PP, partido pelo qual disputou a eleição que lhe deu o sétimo mandato na Câmara.

Embora o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenha passado a defender que o eleitor "não vote em quem usa fundão", em meio ao impasse sobre a sanção ou veto do fundo eleitoral, se tivesse o mesmo posicionamento em 2014, talvez não tivesse sido eleito deputado federal.

Segundo reportagem do portal UOL, na ocasião, a maior parte da verba era pública, repassada pelo PP: cerca de R$ 200 mil do total de R$ 205,2 mil. Naquela campanha, Bolsonaro era filiado ao PP, partido pelo qual disputou a eleição que lhe deu o sétimo mandato na Câmara.

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Bolsonaro recebeu oficialmente, em 2014, R$ 400 mil da direção nacional do PP. Ele devolveu R$ 200 mil, desse valor, os quais tinham sido repassados legalmente ao partido pela JBS. Na ocasião, Bolsonaro justificou que não usaria dinheiro da Friboi.

"Quando vi o nome da Friboi, perguntei se queriam estornar. Falei que ia para a Câmara dos Deputados, ia jogar R$ 200 mil e dizer que é dinheiro do povo, porque foi dinheiro que pegaram do PT para se coligar com o meu partido (...) Friboi não colocou nada na minha conta, foi o partido", afirmou à rádio Jovem Pan, em 2017.

Nas campanhas anteriores, de 2002, 2006, 2010 e 2018, Bolsonaro não havia utilizado dinheiro público: custeou do próprio bolso a maior parte dos gastos.

Hoje, há dois tipos de fundos públicos para partidos/eleições: eleitoral (para custear campanhas) e partidário (para custear o funcionamento das siglas ao longo do ano).

Não existia o fundo eleitoral na eleição de 2014, uma vez que ele foi criado em 2017. Dessa forma, as declarações do PP constam como doação do "fundo partidário".

A Secretaria Especial de Comunicação disse ao UOL que o Palácio do Planalto não comentaria o assunto.