Em agência de modelos, Paolla Oliveira era subestimada, chamada de "gorda e nada especial"

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Paolla Oliveira sofreu com
Paolla Oliveira sofreu com "padrões" (Foto: Reprodução/Instagram/@paolla)

Paolla Oliveira é requisitada pela Globo, coleciona bons trabalhos, é seguida por mais de 30 milhões de pessoas no Instagram e é querida pelo mercado publicitário. Há alguns anos, porém, a vida dela era bem diferente. A atriz, que cresceu na Zona Leste de São Paulo, cursou fisioterapia e trabalhou em uma agência de modelos. O que poucas pessoas sabem é que fechar trabalhos na década de 1990 era sempre uma dificuldade. Os contratantes a recusavam, pois era considerada "gorda e nada especial".

A própria atriz falou sobre o assunto em entrevista recente à Glamour. A informação causou espanto nos fãs. "Como assim Paolla Oliveira era descartada?", "Isso só pode ser mentira!", "Tá exagerando para pagar de vítima", disseram alguns. O Yahoo confirmou a história com uma ex-funcionária da agência Taxi Model, uma das mais procuradas da época, ao lado de Elite, Ford e L’Equipe. 

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De acordo com Maria* (nome fictício), Paolla era esforçada, tímida e extremamente educada, mas não tinha as medidas exigidas pelos estilistas e era substituída por outras modelos quando apareciam trabalhos grandes. "Eu cuidava da parte do cachê das modelos e ajudava na comunicação da agência. A Paolla pegava alguns trabalhos, mas eram poucos. Na década de 1990 se falava muito do padrão 90-60-90. Alguns etilistas já faziam modelagens com essas medidas e ela tinha muitas curvas", afirma.

A altura era uma das justificativas que usavam para dizer que Paolla não era aprovada para os trabalhos. Não existiam filtros na hora do feedback. Assim como ela, outras meninas ouviam o que hoje consideramos absurdo. Maria se recorda de uma jovem que colocou silicone depois de ser recusada várias vezes para campanhas de lingerie. "Elas [modelos] eram novinhas, ficavam chateadas e queriam mexer naquilo que achavam que prejudicava para fechar trabalhos", conta.

Mesmo como modelo fotográfica, Paolla não era tão solicitada por ter características "comuns". "Todas as agências tinham as modelos fotográficas, que mesmo baixinhas faziam sucesso fotografando. Mas geralmente eram modelos chamadas andróginas, tinham que ser muito diferentes, e a Paolla era considerada comum. É o que faz sucesso hoje, o 'gente como a gente'. Ela é linda, mas naquela época falavam que ela era muito comum, que iguais a ela tinham muitas e não queriam modelos iguais. Ela tinha muitas curvas e eles usavam na cara dela o termo 'gorda'. Falavam 'você está gorda'. Para ela e outras meninas também", recorda Maria.

Hoje elogiada, Paolla já recebeu críticas (Foto: Reprodução/Instagram/@paollaoliveirareal)
Hoje elogiada, Paolla já recebeu críticas (Foto: Reprodução/Instagram/@paollaoliveirareal)

Segundo a funcionária, o assunto rolava na agência. "Sobre ela, especificamente, falavam muito que era gorda e não tinha nada de especial. Era bonita, mas não era diferente", diz Maria, que não concordava com os argumentos e se entristecia com a situação. 

Aos poucos, Paolla Oliveira foi "sumindo" da agência, que hoje não existe mais. Depois de anos, Maria entrega que os bookers a reconheceram na TV, mas aí já era tarde demais para surfar na fama dela e ganhar dinheiro com publicidade.

O Yahoo entrou em contato com a assessoria de Paolla Oliveira para confirmar as informações, mas foi informado que a atriz já falou tudo o que tinha para dizer sobre o assunto. Vale lembrar que à Glamour, Paolla descreveu o motivo pelo qual tinha os trabalhos recusados no início da carreira. 

"Tomei não porque a perna era grossa, porque eu não tinha altura suficiente, porque eu era muito cheia de curvas, em nada eu me encaixava. E esse foi o meu início, não me encaixar fisicamente nas coisas. Fui aprendendo a me adaptar e entender se era eu que não me encaixava ou se eram as pessoas que não eram capazes de me ver naquele lugar, e isso me transformou na atriz que eu sou, nessa pessoa versátil", declarou.

*O nome foi trocado a pedido da entrevistada.

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