Advogada que denunciou Luisa Sonza por racismo conta sua versão: "Ela disse 'Pega água pra mim?', e repetiu a frase"

***ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 04-09-2022: Show da cantora Luísa Sonza, no palco Sunset, durante o terceiro dia do primeiro final de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpido, na zona oeste do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 04-09-2022: Show da cantora Luísa Sonza, no palco Sunset, durante o terceiro dia do primeiro final de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpido, na zona oeste do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Isabel Macedo, a advogada que em 2020 denunciou Luisa Sonza à Justiça por ter sofrido um suposto caso de racismo, concedeu à época uma entrevista à repórter Thais Bernardes, do site Notícia Preta. Em um longo depoimento, ela relembrou os detalhes do que teria ocorrido dois anos antes. A festa onde as duas estavam aconteceu na badalada pousada do Zé Maria, em Fernando de Noronha, e Isabel disse ter sido tratada de forma discriminatória até na hora de registrar o boletim de ocorrência.

Eis o seu relato: "Ao voltar do banheiro, fiquei próxima do palco para ouvir a música. Era meu aniversário, e eu tinha viajado sozinha. Estava dançando, me divertindo e aproveitando a festa. Por um acaso, parei atrás da Luisa. No evento tinham vários famosos, mas nem sabia quem era ela. Nunca tinha ouvido falar. Foi então que ela virou, bateu no meu ombro e disse "Pega um copo d'água pra mim?'. Eu respondi que não tinha entendido, ela repetiu a frase e completou 'Você não trabalha aqui?'".

Isabel diz ter questionado então o motivo de a cantora supor que ela trabalhasse servindo os convidados. "Não é isso que você está pensando", teria dito Luisa. "Na hora eu disse que ela nunca sentiria o que eu estava sentindo, pois nunca seria confundida com as pessoas que servem nas festas que ela frequenta", lembra a advogada.

"Não é demérito algum ser empregada, eu mesma já fui doméstica, a questão é por que a branquitude sempre nos enxerga nessa posição de serviçal? Por que nos entendem como pessoas que só podem servi-los mas nunca como pessoas que podem consumir, viver e viajar como eles?", questionou Isabel.

Ela decidiu então registrar o caso na delegacia, onde diz ter sofrido preconceito mais uma vez: "A inspetora, loira, começou a dizer que eu não era negra, que era morena, que não era bem assim. Eu querendo registrar como racismo e ela queria dizer que era injúria racial. Consegui fazer o boletim de ocorrência como racismo e anexei prints que fiz do story de uma artista, onde eu aparecia atrás da Sonza", conta.

Ao fim da reportagem, Isabel afirma que não tornou o caso público porque seu objetivo não é conquistar visibilidade, e sim, justiça: "Eu acionei o judiciário para que ela pague pelo que fez e entenda que isso não pode se repetir. A minha intenção com a ação é que isso tenha um caráter pedagógico, embora não tenhamos obrigação alguma de ensinar nada ao branco. Minha intenção com essa ação é que ela aprenda", afirmou.

À época, o advogado de Sonza, José Estavam Macedo Lima, afirmou que as acusações eram "falsas, inverídicas" e viriam em "um momento oportunista em razão do crescimento exponencial da carreira da artista." Procurada pela reportagem na noite de sábado (17), e na tarde deste domingo, a assessoria da cantora não respondeu até a conclusão deste texto.

A audiência sobre o caso estava marcada para ocorrer de forma on-line na última quarta-feira (14), mas o link vazou e ela foi adiada. Acontecerá de forma presencial, em data e local que não foram divulgados.

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