A vilãnização de Adriana Esteves: Por que ela precisa superar Carminha?

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Adriana Esteves como a Thelma de
Adriana Esteves como a Thelma de "Amor à Vida" (Foto: Reprodução/TV Globo)

Com a volta de “Amor de Mãe”, Adriana Esteves mostrou que é uma atriz com A maiúsculo – como se ela precisasse – com cenas absolutamente impecáveis como Thelma, que agora já matou duas pessoas e está completamente obcecada com a ideia de que Danilo (Chay Suede) nunca descubra que é filho de Lurdes (Regina Casé). Sim, Thelma virou uma vilazona. Mas isso também traz outro problema: essa já é a quarta vilã consecutiva que a atriz interpreta em uma novela das nove.

Em 2012, ela parou o Brasil com sua performance como a pérfida Carminha, a grande vilã de “Avenida Brasil”, e merecidamente recebeu os mais diversos prêmios como a melhor atriz do ano. O problema é que desde então, parece que a própria Adriana ficou congelada naquele Brasil, que se apaixonou por Carminha e que faz tudo para tê-la de volta.

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E assim, de certa forma, tem sido sua carreira até então. Em "Babilônia" (2015), "Segundo Sol" (2018) e agora em “Amor de Mãe”, ela interpretou vilãs, e a sombra de Carminha nunca está muito atrás.

Recentemente, em uma entrevista, Regina Casé, que vive a protagonista de “Amor de Mãe”, Lurdes, disse que Thelma faria “Carminha parecer uma fofa”. Quando fez “Segundo Sol”, Adriana disse que sua personagem, Laureta, era a “professora de Carminha”.

E bastou a novela de Manuela Dias voltar ao ar na última segunda-feira (15) que as comparações inundaram as redes: “Minha Carminha tá viva”, “Carminha voltou”, “Thelma é maior que Carminha”.

Se podemos concordar em algo, é que Thelma realmente tem uma composição muito mais delicada, que faz com que ela realmente se destaque sobre Carminha. É uma personagem muito mais contida, introspectiva, menos agressiva e que acaba sendo motivada pelas situações da vida, ao invés de ser uma grande provocadora de conflitos.

E apesar dessa composição detalhada, o comentário que mais prevalece é: Carminha, Carminha, Carminha.

Os papéis de Adriana também não têm contribuído para que esse rótulo saia: ela só viveu personagens que não eram vilãs em minisséries desde que “Avenida Brasil” acabou. Em novelas, foi uma vilã atrás da outra, com o agravante que em uma delas, “Segundo Sol”, o autor era o mesmo.

Ninguém quer negar ou apagar a importância de Carminha na vida de Adriana Esteves, ela é sem sombra de dúvida uma personagem antológica, merecedora de reconhecimento. Mas ao mesmo tempo, não é minimamente estranho que ela tenha se tornando um modelo que ela tem que constantemente superar?

Adriana é uma atriz gigante, que sabe trabalhar nas mais diversas nuances e hipnotizar o público: a cena dela no chuveiro na volta de “Amor de Mãe” é das melhores coisas que se viu na TV recentemente - você não concorda? O trabalho é expressivo.

Pegue sua atuação na minissérie “Justiça” (2015) como exemplo. Lá ela fazia um personagem que comia o pão que o diabo amassou. Uma mulher batalhadora que queria recomeçar sua vida após ser acusada injustamente. Em outras palavras: um tipo bem diferente de uma vilã. E nem por isso a atriz foi menos reconhecida, tem o estilo visceral.

Quando uma intérprete vive uma personagem marcante na TV, sobretudo uma vilã, ela costuma ficar marcada por isso. Renata Sorrah recentemente reclamou que sua carreira foi de certa forma reduzida a memes por conta de Nazaré, vilã que ela interpretou em “Senhora do Destino” (2004). Beatriz Segall demorou anos para deixar de se incomodar com a associação com Odete Roitmann.

É incrível poder ser uma vilã, mas uma atriz também quer experimentar outros ares.

Carminha estará sempre viva na memória do público e no coração de Adriana Esteves. Quem não gosta de sair falando “inferno!” por aí até hoje?

Mas a vilã também não pode se tornar uma métrica pela qual Adriana é medida pelo resto da vida. Ela também precisa experimentar outros personagens longe da vilania, e pode sim ser uma vilã bem diferente que uma Carminha. Afinal, ela é muito maior do que isso.

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