Adriana Calcanhotto encerra jornada marítima com disco ao vivo; ouça “Margem, finda a viagem”

Guilherme Araujo
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Registro, gravado no Rio de Janeiro, também será lançado em vídeo (Foto: Divulgação/Murilo Alvesso)
(Foto: Divulgação/Murilo Alvesso)

O emaranhado de memórias reunidas por Adriana Calcanhotto ao longo de sua trilogia dos mares reúne turbulências, paixões e aventuras. Entretanto, como qualquer viagem, em algum momento essa jornada precisava se encerrar. Nesta sexta-feira (13), após duas décadas, a artista finalmente atraca com a estreia de “Margem, finda a viagem” (Biscoito Fino).

Gravado ao vivo na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, em dezembro de 2019, o elogiado espetáculo ganha a princípio lançamento digital em áudio. Disponível no streaming, reúne além de duas parcerias com Rubel (“Você Me Pergunta” e “Mentiras”) grandes sucessos da carreira conduzidos pelo Grande Senhor das Águas. Para a ocasião, chega o clipe de “Devolva-me”, agora retrabalhada em uma versão “Iê-Iê-Iê”.

Apesar das notáveis alterações no setlist (saíram “Esquadros”, “Quem Vem Pra Beira do Mar” e “Os Ilheus”) há muito o que contemplar na coleção musical de Adriana. Das novidades, “Futuros Amantes”, de Chico Buarque, e “Tua”, composição responsável por dar a Maria Bethânia o Latin Grammy de melhor canção em língua portuguesa.

Ao lembrar que o objetivo é encerrar um ciclo, sua proposta se mostra fiel como um todo ao resgatar canções importantes, gestadas nessa rota. Além de “Marítimo” e “Mais Feliz”, lançadas em 1998, a artista também inclui no set a esguia “Maré”, um espelho das paisagens mutantes do mar. Pelo mesmo motivo também merece destaque “Ogunté”. Para além do amor, eis um balde de água fria sobre tragédias socioambientais.

Toda essa complexa liga, é claro, fica ainda mais bela quando se observa no palco uma enorme onda formada por cortinas azuis. É ela quem envolve os músicos Rafael Rocha, Bruno Di Lullo e Bem Gil, tocando em perfeita sincronia. Com direção de Murilo Alvesso, “Margem, finda a viagem” vem com a promessa de ser um registro de ondas que, por mais que se quisesse, jamais seriam capazes de reproduzir a própria forma.

Ouça onde preferir.

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