‘Adnight’ e o mal do 'globismo' crônico

Jeferson de Sousa - Tela Plena
Ivete Sangalo e Marcelo Adnet no último ‘Adnight’ do ano (Divulgação)
Ivete Sangalo e Marcelo Adnet no último ‘Adnight’ do ano (Divulgação)

Marcelo Adnet chegou à Globo com moral depois de mostrar seu talento no cinema e em programas da MTV. Acabou perambulando pela grade da emissora carioca, fazendo quadros no ‘Fantástico’ e protagonizando o malogrado ‘O Dentista Mascarado’. Acertou a mão quando se juntou à Marcius Melhem para criar o ‘Tá no Ar’. O sucesso do humorístico fez com que a Globo lhe desse espaço para um novo programa, o ‘Adnight’. Ontem, quinta 2 de dezembro, tivemos último programa da primeira temporada – uma experiência que, sejamos sinceros, não deu muito certo.

Apesar de tudo, a segunda temporada está garantida. Coisas da Globo. Segundo o colunista Daniel Castro, do blog ‘Notícias na TV’, a cúpula da emissora acha que ‘Adnight’ tem potencial de crescimento e que é preciso dar tempo ao espectador para que se acostume com o programa. O paralelo, no caso, seria a trajetória de ‘Amor & Sexo’, que também começou desagradando, mas em sua segunda temporada teve uma melhora na audiência.

Mas o ponto é que são programas bem distintos. Enquanto ‘Amor & Sexo’ tem um perfil bem definido – um game show sobre sexo –, ‘Adnight’ parece patinar em seu hibridismo entre game show, programa de entrevistas e humorístico. Atira para todos os lados e parece não acertar em coisa alguma.

‘Adnight’ sofre de “globismo’ crônico – trata-se de um daqueles veículos nos quais a emissora despeja seus contratados e amigos da casa aos montes – ‘Tamanho Família’, ‘Vídeo Show’, ‘Faustão’ são outros exemplos. Ajuda a reforçar a audiência, mas, no caso do programa de Adnet, nem sempre deu certo. Não foram poucas as vezes que se percebia claramente o desconforto de alguns convocados.

De fato, o programa dependeu muito dos convidados para alavancar audiência, principalmente puxada pelos fã-clubes. No programa de encerramento, por exemplo, o tiro foi com munição de grosso calibre: Ivete Sangalo, que sempre esquenta o Ibope (e ainda Fafá de Belém, Klebber Toledo, Mariana Santos, Compadre Washington e Beto Jamaica).

Sobre o conteúdo, a mim sempre pareceu que tudo no ‘Adnight’ era muito ensaiadinho e feito às pressas. Perguntas respondidas no piloto-automático, quadros que se sucedem de forma vertiginosa, ganchos forçados para engatar uma piada ou uma paródia. E tudo isso não resultava em nada. Diferentemente do ‘Programa do Porchat’, que estreou na mesma época: não foram poucas as vezes que, no dia seguinte, lia-se chamadas sobre alguma declaração feita pelos entrevistados. Ou seja, mesmo em sua frugalidade, Porchat conseguia arrancar algo dos convidados. Faltou isso a Adnet.

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O curioso é que ‘Adnight’ teve audiência por volta de 13 pontos, o que não o coloca muito longe do ‘Tá No Ar’. A diferença é que ‘Tá No Ar’ em sua porralouquice parece ter um foco bem definido. E, claro, é bem mais engraçado. Boa sorte para o ‘Adnight’ em sua segunda temporada.