Ação no Complexo do Salgueiro: a imersão de Humberto Carrão para viver Caco Barcellos

Humberto Carrão e Caco Barcellos em
Humberto Carrão e Caco Barcellos em "Rota 66". Foto: Divulgação/Globo

Resumo da notícia:

  • Humberto Carrão não sentiu peso para se assemelhar ao Caco Barcellos sem série

  • Ator vive o jornalista em "Rota 66", adaptação do livro no Globoplay

  • Produção que aborda vítimas de violência policial chega ao streaming nesta quinta-feira (22)

Após três décadas do lançamento de "Rota 66 - A Polícia que Mata", Caco Barcellos verá seu livro-reportagem virar série no Globoplay. A missão de interpretar o renomado jornalista ficou para Humberto Carrão, que estudou muito sobre o repórter, mas não se sentiu pressionado a entregar uma representação perfeita dele.

"Em nenhum momento, eu quis imitar o Caco ou que fosse um trabalho desses de Hollywood. Essa não era a preocupação da caracterização", explicou em conversa com jornalistas. No entanto, ele se dedicou à preparação intensa de observação de tudo o que envolve o jornalista.

"Claro que a gente se preocupou em dar conta de aproximar, fiquei tentando aprender as coisas do Caco, do corpo, do olho, da forma de ouvir as pessoas nas entrevistas. Vi mil reportagens, a gente teve um banco de arquivos da Globo muito grande", completou.

Ele ainda pontuou a referência afetiva por interpretar alguém que admira muito. "Isso faz com que isso vá chegando mais perto. Mas não senti um peso de que teria que ser o Caco. A gente construiu um Caco parecido com o original", refletiu. "Construiu um Caco melhor", brincou o jornalista.

Ter realizado visualmente tudo aquilo que eu apurei é um momento extremamente especial. Não imaginava que fosse me ver dessa maneira e concluo que realmente achava que a minha história nas ruas fosse bem pior do que ele mostrou"Caco Barcellos

Dias intensos de imersão

Humberto passou dois dias inteiros na companhia de Caco para entender como o repórter se comporta na atuação em tempo real. Na pesquisa de campo, ele participou de uma apuração no Complexo do Salgueiro, uma das favelas de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, e esteve ativo na ação.

"O que ficou para mim desse dois dias que ficamos juntos é que ele estava muito envolvido na história. Um cidadão brasileiro que me dá muita esperança. Acho maravilhoso essa entrega para a vida do outro em volta do nosso umbigo", declarou Caco Barcellos.

Humberto contou que passou horas de carro "sugando" Caco até chegar ao local. "Enchi o Caco de perguntas, queria saber que livros ele estava lendo quando escreveu o 'Rota'. Percebi a maneira como ele segurava o microfone, tinha essa coisa do olhar, da respiração, fiquei muito atento ao corpo do Caco, comparando com as imagens de arquivo, se algo tinha mudado", relatou o ator.

Essa observação se refletiu no comportamento de Humberto durante a apuração. Segundo Caco, Humberto já se comportava como um repórter investigativo. "Ele estava conversando com as mães [das vítimas de policiais], levantando informações, me cochichou e já colocou como 'nós'. Muito envolvido na história que eu estava indo atrás, apontando para mim os projeteis no chão", afirmou. "Foi uma troca. Não foi uma postura ‘eu experiente’ e ‘você chegando’", completou.

Ao se aprofundar no ofício do repórter, o ator também destacou o impacto das histórias reais relatadas durante aquela cobertura jornalística.

Enquanto o Caco estava entrevistando uma mãe, eu ouvi comentários de que houve 'tróia', uma prática inconstitucional na qual o policial se esconde na mata ou em uma casa e espera o jovem passar. É muito triste. Acabou que os dois jovens foram presos, não foram mortos, mas a gente estava ali e foi muito duro”Humberto Carrão, intérprete de Caco Barcellos na série

Além disso, houve a dificuldade de construir a personalidade de Caco Barcellos, que não aparece no livro. Para isso, Humberto contou com a pesquisa do roteiro e "dois dias muito intensos e importantes" ao lado do apresentador do "Profissão Repórter".

Conversas com roteiristas, diretor, produtor, também foram fundamentais para que a equipe pudesse entender mais sobre a persona de Caco e notas da vida dele fossem amplificadas para questões do personagem. "Essa profissão [ator] é muito bonita por você poder dar vida a uma pessoa que você admira e passar dias com ela", refletiu Carrão.

"Rota 66 - A Polícia que Mata"

Para Caco Barcellos, a série difere de outras produções do gênero por se tratar de um livro que aborda o olhar da vítima. “Outras séries são focadas no olhar de quem dispara o gatilho. O 'Rota' foca na vida de quem tem a família destruída por essas ações”, declarou.

"Rota 66 - A Polícia que Mata" é uma adaptação televisiva do livro que retrata a investigação do jornalista Caco Barcellos, vivido por Humberto Carrão, sobre o assassinato de três jovens da periferia de São Paulo. O caso foi marcado por uma ação policial promovida pela equipe 66 das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, conhecida como Rota. No processo, o repórter descobre novas vítimas da Polícia Militar e passa a descobrir os bastidores sombrios desses grupos de matadores.

A série chega ao Globoplay nesta quinta-feira (22) com dois episódios iniciais. O restante será liberado semanalmente na plataforma de streaming. Confira o trailer: