Acampamento bolsonarista '300 do Brasil' tem financiamento coletivo cancelado, diz empresa

Acampamento bolsonarista teve financiamento coletivo suspenso. (Foto: Reprodução/Twitter)

O acampamento bolsonarista autointitulado “300 do Brasil”, montado em Brasília (DF), teve seu financiamento coletivo suspenso. O anúncio do cancelamento da “vaquinha online” foi feita pela própria empresa Vakinha, que opera a plataforma, na tarde desta quarta-feira (26).

“Ainda sobre o caso dos 300 do Brasil, nosso jurídico concluiu uma nova análise, facilitada pelos eventos recentes, e recomendou a retirada da vaquinha. Como sempre informamos, procedemos em concordância com nosso jurídico e com toda a responsabilidade necessária.”, escreveu a Vakinha, em seu perfil no Twitter.

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A ativista Sara Winter, organizadora dos “300 do Brasil” e defensora do presidente Jair Bolsonaro, foi um dos alvos da operação da PF (Polícia Federal) na manhã desta quarta, no âmbito do inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) das fake news que apura a disseminação de notícias falsas, ofensas, ataques e ameaças contra integrantes do Supremo.

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A empresa vinha sendo pressionada na rede social a suspender o financiamento coletivo do acampamento. Uma das postagens foi feita pela página Sleeping Giants Brasil, que ganhou notoriedade nos últimos dias expondo às empresas que seus anúncios alimentam financeiramente sites com conteúdos falsos ou fatos distorcidos.

A princípio, a Vakinha tinha se posicionado nesta quarta afirmando que o caso estava sob análise de seu departamento jurídico. Mais tarde, confirmou a suspensão do levantamento coletivo de dinheiro ao acampamento.

A página do financiamento já está fora do ar. A política da empresa prega que quando um projeto de financiamento é cancelado as doações são retornadas aos seus colaboradores, não sendo direcionadas para o criador da “vaquinha”.

‘MILÍCIA ARMADA’, DISSE MP SOBRE 300 DO BRASIL

Sara Winter, cujo nome verdadeiro é Sara Geromini, reconheceu em entrevista à BBC News Brasil, no início de maio, a existência de armas dentro do acampamento montado em Brasília.

“Em nosso grupo, existem membros que são CACs (sigla para Colecionador, Atirador e Caçador), outros que possuem armas devidamente registradas nos órgãos competentes. Essas armas servem para a proteção dos próprios membros do acampamento e nada têm a ver com nossa militância”, afirmou.

Os "300 do Brasil" também são alvo de investigação pela Procuradoria-Geral da República. Na mesma semana do dia 13 de maio, data da entrevista, o STF autorizou a abertura do procedimento para apurar quem seriam os financiadores dos movimentos que pregam atos anti-democráticos contra o STF e Congresso Nacional.

O MP-DF (Ministério Público do Distrito Federal) pediu à Justiça do DF que desmantelasse o acampamento, classificado pelos promotores Flávio Augusto Milhomem e Nísio Tostes Filho como uma "milícia armada". O MP também solicitou que seus integrantes passassem por uma revista para busca e apreensão de armas em situação irregular e que o grupo fosse proibido de atuar.

O pedido, no entanto, foi negado pelo juiz Paulo Afonso Carmona, da 7ª Vara da Fazenda Pública do DF. Na ação, o magistrado avaliou que o grupo pode estar cometendo o crime de constituição de milícia privada, previsto no Código Penal. Mas que a esfera cível não é adequada para tratar de crimes, indicando que deveria ser feito pela esfera criminal.