‘A Vida da Gente’: Como a ‘briga’ entre Manu e Ana ainda mobiliza tantas torcidas?

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Rafael Cardoso, Marjorie Estiano e Fernanda Vasconcellos em 'A Vida da Gente'. Foto: TV Globo / Divulgação
Rafael Cardoso, Marjorie Estiano e Fernanda Vasconcellos em 'A Vida da Gente'. Foto: TV Globo / Divulgação

'A Vida da Gente', de Lícia Manzo, é claramente é melhor novela em exibição atualmente. Com uma trama sensível e diálogos primorosos, a trama envolve os telespectadores nos temas complexos que aborda. E, talvez isso fique mais evidente do que nunca com o debate renovado sobre a relação entre as irmãs Manu (Marjorie Estiano) e Ana (Fernanda Vasconcellos) na história.

Manu (Marjorie Estiano) e Ana (Fernanda Vasconcellos) em ; A Vida da Gente'. Foto: TV Globo / Divulgação
Manu (Marjorie Estiano) e Ana (Fernanda Vasconcellos) em ; A Vida da Gente'. Foto: TV Globo / Divulgação

Primeiro é importante destacar a qualidade do conflito: a ideia de uma irmã que, entre todas as aspas, “usurpa” a vida da outra, é um entrecho folhetinesco saboroso, capaz das mais diversas ramificações. E, provavelmente a mais forte delas, seja a torcida que se forma pelos espectadores em torno de cada uma delas.

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Em 'A Vida da Gente', Ana é uma tenista brilhante que acabou de ser mãe, tendo uma filha com o homem que ama. Ao sofrer um acidente de carro, ela fica em coma durante anos e, quando acorda, descobre que sua irmã, Manu, se casou com o pai de sua filha, e que a criança agora a trata como mãe.

Descrita dessa forma, parece óbvio que os espectadores deveriam odiar Manu. Afinal, ela tirou tudo aquilo que era da irmã enquanto ela estava desacordada, não é mesmo? Bom, é aí que está o pulo do gato.

Lícia trabalha com nuances muito cuidadosas para fazer com que não existam pessoas certas ou erradas na história. Sim, Manu se casa com Rodrigo (Rafael Cardoso), namorado de sua irmã. Mas não é como se ela fizesse isso por inveja ou rancor. Eles simplesmente vão se aproximando, por criarem a filha de Ana juntos, e quando se dão conta já estão envolvidos um com o outro. Ao mesmo tempo, Manu se afeiçoa à pequena Júlia, e realmente começa a se ver como mãe dela.

 Manu (Marjorie Estiano), Rodrigo (Rafael Cardoso) e Julia (Jesuela Moro) em 'A Vida da Gente'. Foto: TV Globo / João Cotta
Manu (Marjorie Estiano), Rodrigo (Rafael Cardoso) e Julia (Jesuela Moro) em 'A Vida da Gente'. Foto: TV Globo / João Cotta

O fato é que a jovem perde as esperanças que a irmã um dia acorde do coma, e decide tocar sua vida como pode. Ela também guarda um grande sofrimento, por ter sempre sido preterida pela mãe, Eva (Ana Beatriz Nogueira), que nunca fez questão de esconder sua clara preferência por Ana.

Isso também não apaga que o fato de que Ana não teve a oportunidade de criar sua filha e viver seu amor, e que ao acordar percebe que sua vida virou de cabeça para baixo, que não existe mais. Lógico que ela tem motivos para revolta.

Tamanha é a potência do enredo, que se criaram dois times: o Time Ana, e o Time Manu, com fãs de cada lado defendendo porque a sua personagem está certa. O curioso é ver como, mesmo anos após a exibição original, essas discussões seguem vivas.

Ana (Fernanda Vasconcellos) e Rodrigo ( Rafael Cardoso) em 'A Vida da Gente'. Foto: TV Globo / Renato Rocha Miranda
Ana (Fernanda Vasconcellos) e Rodrigo ( Rafael Cardoso) em 'A Vida da Gente'. Foto: TV Globo / Renato Rocha Miranda

Fãs conversam sobre o tema nas redes sociais e fazem defesas apaixonadas de sua irmã favorita, o que aumenta o engajamento da novela.

Aliás, o mais interessante é perceber como algumas pessoas mudaram de opinião com a reprise. Não são incomuns comentários como “hoje, olhando com outros olhos, entendo a outra irmã. Isso tudo é mérito da autora, que construiu a trama com precisão.

Manu (Marjorie Estiano) e Rodrigo (Rafael Cardoso) em 'A Vida da Gente. Foto: TV Globo / Matheus Cabral
Manu (Marjorie Estiano) e Rodrigo (Rafael Cardoso) em 'A Vida da Gente. Foto: TV Globo / Matheus Cabral

No fim, a moral de 'A Vida da Gente' é que parece não haver certo e errado, mas o anseio do público por tomar lados reforça como a novela é potente, e como ela se vale do melhor do folhetim, ao mesmo tempo que debate assuntos mais densos.

Não é à toa que o debate permanece até hoje. Que venha logo a novela das 21h de Lícia, “Um Lugar ao Sol”, e que ela seja tão boa quanto.