“A repressão sexual é um dos controles do corpo da mulher”, diz Bianca Bin sobre nudez

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Longe da televisão desde 2017 quando interpretou Clara em 'O Outro Lado do Paraíso', Bianca Bin que está isolada em sua casa no interior de São Paulo com o marido Sérgio Guizé, falou à colunista Patrícia Kogut do jornal ‘O Globo’ sobre a convivência com o ator, a nudez censurada nas redes sociais e também sobre os projetos que tiveram que ser paralisados devido a pandemia, inclusive as gravações de 'Cine Holliúdy'.

Dividindo o mesmo teto, Bianca e Guizé estão juntos há quatro anos. "Uma grande oportunidade de aprofundarmos nossa relação. Conviver é uma arte. Quando estamos dispostos a olhar para onde realmente importa, as descobertas e o aprendizado são surpreendentes. Uma sorte ter um grande parceiro ao meu lado, também desperto ao olhar para dentro”, disse ela.

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Compartilhando seus momentos em casa, a esposa de Guizé postou uma foto nua que foi censurada, mas depois liberada, sobre o assunto ela disse: “O tabu não é em relação à nudez simplesmente, e sim à nudez feminina. Porque mamilos masculinos não são censurados. Certo? A repressão sexual é uma das maneiras de controle do corpo da mulher. A perseguição sistemática ao seio desnudo é o símbolo dessa repressão”.

E continuou dizendo: “Essa hiperssexualização dos corpos femininos nos proíbe de sentir e vivenciar nosso próprio corpo, além de dificultar a aceitação do “ser mulher” da adolescência à idade adulta. Acho importante podermos existir com igualdade de liberdades. Não precisar esconder meu corpo para ser respeitada. Não ser sexualizada, objetificada, reprimida e violentada por causa dele”.

“Eu acho uma hipocrisia um país que desde a sua colonização escraviza, explora e mata mulheres lidar com naturalidade com índices cada dia mais alarmantes de feminicídio. Com a nudez apenas no carnaval, quando ela é socialmente aceita. No resto do ano, a amamentação em público continua sendo um desafio para mulheres lactantes”.

“É muito contraditório tudo isso. E só ajuda a perpetuar a violência de gênero nesta nossa sociedade já tão doente. Vale lembrar, por exemplo, que somos mundialmente o país que lidera o consumo de pornografia trans. E o país que mais mata transexuais no mundo também. É muita incoerência. Enfim, acho, sim, que devemos lutar contra toda a hipocrisia desta sociedade machista e patriarcal, que insiste em querer controlar nossos corpos. Quando posto meu corpo nu, penso em tudo isso".

Analisando o cenário atual, a atriz fez uma crítica ao governo e falou sobre a pandemia. "É realmente muito revoltante e de uma tristeza imensurável presenciar o descaso deste desgoverno diante de uma pandemia devastadora. Mas, para nossa própria sobrevivência, estamos tendo que focar na metade do copo cheia, se é que podemos chamar assim. Eu estou aprendendo, como todo o povo brasileiro, a acreditar em dias melhores e a viver dia após dia. Fazendo minha auto-observação e buscando uma melhor versão diariamente. Porque a mudança só acontece de dentro para fora. O caminho do autoconhecimento, para mim, é o único capaz de promover mudanças significativas" disse a atriz que está no filme 'Assalto na Paulista' ainda sem data de estreia. Bianca divide a cena com o ator Eriberto Leão.

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