A paquera do 'match': como sete apps funcionam para sexo e relacionamento

Por Thaís Sabino @thaissabino

“Match” e o jogo começa. Encontrar alguém para se relacionar, seja de forma casual ou até para um relacionamento sério, está ganhando cada vez mais ferramentas no mundo virtual, trocando o acaso pelo “fazer acontecer”. Homens e mulheres podem encontrar o par perfeito sem mesmo sair do sofá de casa, não precisam perder tempo em encontros com pessoas com gostos e manias divergentes, tampouco correr o risco de se apaixonar por alguém que more do outro lado do mundo. Usando os filtros certos, o aplicativo faz o processo seletivo. A comodidade atrai cada vez mais pessoas; só o Tinder - o mais famoso dos aplicativos de paquera, criado em 2012 - tem mais de 10 milhões de usuários brasileiros.

O motivo para tanto sucesso é a facilidade de se conectar com outras pessoas sem precisar sair de casa. “Eu estava com preguiça de ir para balada e barzinho, foi um jeito de conhecer gente nova”, contou Jacqueline Siqueira, que se cadastrou no Tinder há alguns anos. Usando a localização do usuário e informações do Facebook, o Tinder reúne uma lista de possíveis pretendentes e a pessoa aprova ou reprova apenas deslizando o dedo na tela do smartphone. Em caso de interesse mútuo, é possível iniciar uma conversa pelo aplicativo.

Jacqueline e o namorado encontrado no Tinder. Foto: Arquivo Pessoal

Rodrigo C. é usuário do Tinder e escolheu o aplicativo por ser “o mais famoso”. “Para os homens, na maioria das vezes é busca por sexo, mulheres, a maioria quer relacionamento”, opinou, e enfatizou que o Tinder serve como ferramenta para quem quer apenas curtição. Ao longo do tempo, o aplicativo ganhou a fama de ser uma rede de pessoas interessadas somente em sexo e foi com uma proposta diferente, a de “encontrar alguém especial”, que o rival Happn foi lançado em 2014. O aplicativo monitora os passos do usuário, cruza com dados da localização de outras pessoas e cria uma lista de pretendentes. O Happn já faz parte da vida de cerca de 2 milhões de brasileiros.

Tirando o fato de o Happn reunir “pessoas mais bonitas”, de acordo com Jacqueline, não existem grandes diferenças entre os dois aplicativos de paquera. Usuária do Tinder há quase um mês, Helena já encontrou homens com interesses variados, desde os que “procuram pela alma gêmea, até os que querem sacanagem pura”, contou. “Esses aplicativos são para todo tipo de coisa, se quer um namorado e acha alguém que também quer coisa séria, pronto, ‘match’. Se quiser alguém para passear, para sexo casual, e achar outra pessoa interessada, 'match’ também”, acrescentou Jacqueline. Para Gabriela Pedri, porém, tanto o Tinder como Happn são mais “para pegação”.

Ainda na lista de aplicativos de paquera que estão fazendo sucesso, no entanto com uma linha mais divertida, está o Adote um Cara, que surgiu a partir de um site criado em 2008, na França. A ideia tanto do site como do aplicativo é catalogar “caras” de acordo com características físicas, de personalidade, localização e interesses. No cadastro, a usuária seleciona preferências e recebe uma lista de opções de caras para adotar. Ainda é possível acessar as diferentes seções de homens e usar hashtags para filtrar características, como #barbudo, #viajante, entre outras. Depois que o cara é selecionado, basta colocar no carrinho e marcar data e horário da entrega, no caso, do encontro. “Parece mais uma brincadeira”, comentou Gabriela, que já usou o app.

O Badoo também passou de site - criado em 2006 - para aplicativo, e dos mais de 200 milhões de usuários, a maioria é brasileiro. O aplicativo de paquera é conhecido por ser uma ferramenta para organizar encontros de sexo casual e para “pegação”. “Converse, paquere, socialize e divirta-se” é um dos slogans usados pelo Badoo. O funcionamento segue a linha do cadastro e cruzamento de informações similares para a elaboração de uma lista de pretendentes. Para Rodrigo, Badoo é o "pior” dos aplicativos de paquera, por causa do tipo de usuário presente na rede: “é péssimo”, disse.

Com a proposta de formar casais em um relacionamento sério, o Plenty of Fish, ou POF, apesar de não tão famoso, é um dos aplicativos de paquera mais bem sucedidos do mundo. A ideia começou na versão site em 2003 e passou para aplicativo; o POF tem mais de 2 bilhões de acessos por mês e, de acordo com a empresa, o serviço é responsável pelo nascimento de pelo menos um milhão de bebês no mundo. No POF, os clientes respondem a testes de personalidade e questionários detalhados, e então a lista de pretendentes é feita com base nos índices de compatibilidade entre as pessoas. Todas as ferramentas são gratuitas.

“De todos que eu usei, achei o POF mais sério”, contou Gabriela, e foi usando o aplicativo que ela encontrou o namorado atual. O que Gabriela mais gostou do POF foi a possibilidade de filtrar quem quer coisa séria e quem quer “pegação”. “Fui um case de sucesso”, contou e Gabriela tem mais duas amigas que também estão namorado graças ao POF.

Há quase dois anos, o site Par Perfeito - com mais de 30 milhões de brasileiros cadastrados - lançou aplicativo de paquera, em que usuários podem fazer buscas por companhia e relacionamento, além de trocar mensagens. Existe também o Flert, que funciona de forma parecida ao Tinder, porém a lista de pretendentes é criada de acordo com a rede de contatos da conta do Facebook do usuário. A proposta do aplicativo é sugerir “amigos de amigos” e evitar roubadas e econtros furados, já que as ciladas são uma realidade do uso de aplicativos para encontrar pretendentes: “caí em várias”, disse Jacqueline.

Furadas e acertos dos 'match’

“Conversei com um cara por dois meses pelo Happn e no dia de sair tomei um bolo”, contou Jacqueline sobre uma das más experiências que teve usando aplicativos de paquera. “Outra vez, saí com um carinha que era muito meloso, ficava me dando pipoca na boca dentro do cinema, quase tive um treco. No dia seguinte, ele disse que estava apaixonado”, lembrou. Nem sempre é possível saber se o usuário do outro lado é um bom partido e por vezes a certeza só vem à tona no encontro. Rodrigo também viveu momentos “engraçados” usando o Tinder: “uma mulher casada queria que eu fosse na casa dela enquanto o marido viajava”, disse.

Mas buscar relacionamentos no mundo virtual é como uma loteria, e quando dois usuários com os mesmos interesses se encontram, o aplicativo pode ser a ferramenta para unir um novo casal. E foi o que aconteceu com Jacqueline. “Namoro há quatro meses com uma pessoa que conheci no Tinder. Foi muito rápido, nos falamos por alguns dias, nos encontramos e uma semana depois começamos um relacionamento sério. Deu muito certo e tem funcionado até agora”, contou.