Coronavírus: a crise pode levar a um aumento dos partos em casa?

O coronavírus pode fazer com que mais mulheres escolham fazer o parto em casa? (Getty Images)

Conforme a preocupação com o coronavírus continua a se espalhar, especialistas sugerem que o número de grávidas avaliando a possibilidade de ter seus filhos em casa está aumentando.

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Embora muitos estejam preocupados com a saúde por causa da COVID-19, as gestantes que estão prestes a dar à luz podem estar se sentindo particularmente abaladas.

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A britânica Millie Mackintosh revelou suas próprias preocupações sobre dar à luz durante essa pandemia.“Com pouco menos de 8 semanas até a chegada da nossa filha, a situação mundial por causa do coronavírus é uma grande fonte de preocupação,” escreveu ela.

“Mesmo sabendo que se preocupar não leva a nada, é compreensível estar ansiosa pela chegada do meu bebê nesse período, já que o nosso instinto natural é o de proteger”.

Na semana passada, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson revelou que as gestantes são consideradas um grupo de risco e devem minimizar todo tipo de contato social por até 12 semanas.

No entanto, o Royal College of Midwives pediu que as mulheres grávidas continuem a fazer seu pré-natal normalmente, afirmando que ele é “essencial para garantir o bem-estar das gestantes e dos bebês”.

Não há dúvidas de que as orientações do governo britânico terão impacto nas mulheres que estão prestes a dar à luz, e segundo uma especialista, o coronavírus pode mudar a forma como nós abordamos e vivemos o parto, levando talvez mais gestantes a optar pelo parto domiciliar.

“Conforme a situação do coronavírus se desenvolve no Reino Unido, estamos vendo um aumento do número de mulheres grávidas avaliando a possibilidade de um parto em casa,” explica Siobhan Miller, fundadora da The Positive Birth Company.

“Muitas mulheres estão nos dizendo que querem evitar ir ao hospital por estarem com medo de contrair o vírus, e também estão buscando ativamente formas de gerenciar a ansiedade e o medo causados pela situação atual”.

“As grávidas não parecem apresentar casos mais severos do que a população geral quando contraem o vírus, e não há evidências de transmissão vertical, na qual o vírus é transferido da mãe para o feto”.

“No entanto, como este é um vírus novo, ainda há muita incerteza e aspectos desconhecidos”.

Especialista britânica acredita que haverá um aumento no número de partos domiciliares no Reino Unido devido ao medo do coronavírus. (Getty Images)

Miller diz que, em 2017, houve mais de 13.500 partos em casa (aproximadamente 2%), mas ela espera ver um aumento significativo no número de partos domiciliares esse ano como consequência do vírus.

Ela também acredita que a situação atual pode mudar a forma como nós daremos à luz no futuro, fazendo com que mais mulheres sejam conscientes das suas opções, incluindo a do parto domiciliar.

“O NHS [Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido] já está enfrentando uma enorme pressão e ela só aumenta. Isso vai impactar a quantidade de profissionais de saúde disponíveis para acompanhar pacientes e gestantes,” explica ela.

“Optar por um parto em casa pode ajudar a aliviar algumas das preocupações das gestantes, especialmente aquelas que não sabem se terão um leito ou um médico à disposição no hospital”.

Além de ajudar a atenuar parte dos medos relacionados ao coronavírus, Miller diz que o parto em casa pode oferecer muitos benefícios para as futuras mães, incluindo a continuidade do cuidado e o fato de não ter que se deslocar durante o trabalho de parto.

“Estar em casa também significa que você tem mais controle sobre o seu ambiente, e pode limitar quantas pessoas podem entrar no seu espaço, e gerenciar com quem você vai entrar em contato e com quem não,” acrescenta ela.

Miller também acredita que pode haver uma queda no número de mulheres participando de atividades em grupo para gestantes, o que vai levar a um aumento da demanda por cursos e aulas online que possam ser feitos em casa.

“O vírus também pode aumentar o número de pessoas que procuram a ajuda de um parceiro virtual, especialmente se a disponibilidade de atendimento presencial em hospitais e centros de parto diminuir,” acrescenta ela.

“Os parceiros de parto virtuais, que estão disponíveis para download no celular, podem monitorar as contrações, ajudar a mulher a passar por cada contração com uma técnica respiratória simples, oferecer meditações guiadas e até avisar quando o seu trabalho de parto iniciou e quando é o momento de ligar para a sua parteira”.

Gestantes que estejam pensando em fazer um parto domiciliar devem conversar com seu médico ou parteira. (Getty Images)

Pensando em um parto domiciliar?

Miller sugere conversar com o seu médico e a sua parteira para saber quais opções estão disponíveis no seu caso.

“Não se esqueça de confirmar com a sua parteira se o parto domiciliar é seguro para você e para o seu bebê,” aconselha ela.

“Se for, sua parteira vai entrar em contato com os membros das equipes de parto para ajudá-la”.

Essas são algumas perguntas importantes que você deve fazer:

· Quanto tempo demoraria se eu precisasse ser transferida para o hospital?

· Para qual hospital eu seria transferida?

· Eu teria uma parteira comigo o tempo todo?

· Onde encontrar uma banheira inflável para o parto?

Marie Claire Dorking