Com Tenet, Novos Mutantes e coronavírus, o cinema está de volta. Queira você ou não

Thiago Romariz
·3 minuto de leitura
Pôster de Tenet em cinema de Seoul, Coreia do Sul. Foto: Simon Shin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Pôster de Tenet em cinema de Seoul, Coreia do Sul. Foto: Simon Shin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Os últimos seis meses foram tomados por discussões sobre a volta do cinema no mundo. E ainda que milhares de pessoas morram todos os dias devido à pandemia da covid-19, o cinema voltou. Não importa se eu ou você estamos consternados sobre esse retorno, se é ou não é o momento. O fato é que o cinema voltou. Mas ele voltou diferente em diversos aspectos que podem moldar a indústria nos próximos meses, pelo menos, para não dizer anos.

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O primeiro deles é a fragmentação dos lançamentos. Antes a escala global trazia uma expectativa e lucro enormes de forma imediata. Agora, a impossibilidade de estrear com salas cheias ou mesmo estrear em alguns países, fez com que os estúdios voltassem às campanhas ainda mais regionais.

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O fato atestado aqui pode ser comprovado com a estreia do dito 'salvador' do cinema, Tenet, novo filme de Christopher Nolan. O longa ganhou uma campanha voltada para países europeus que poderiam fazer a exibição, e o resultado foi surpreendente: mais de US$ 50 milhões no primeiro final de semana. Imaginando que de forma limitada EUA e China receberão o filme nos próximos dias, dá pra dizer Tenet realmente será o bastião do regresso à sala de cinema.

E isso vale especialmente pelo desempenho do filme em si, já que Novos Mutantes, o filho bastardo da fusão entre Fox e Disney, sequer conseguiu dois dígitos na arrecadação. A força de Nolan aliada à vontade do público de voltar às salas, além da pitada de polêmica e burburinho em volta do filme, fizeram Tenet sobressair - já que a qualidade, segundo boa parte da crítica especializada, é discutível.

Fato é que Tenet será assunto por muitos meses no mundo inteiro, já que outros países verão o filme com quase 60 dias de atraso, como é o caso do Brasil.

Um dos países com maior número de mortes e contágio no mundo, nosso país se porta como uma nação quase livre do vírus - vide as praias lotadas na capa de jornais, as ruas e bares lotadas de gente, os shoppings abertos.

Os cinemas serão os próximos a entrar na onda, a começar pelo Festival De Volta Para o Cinema, que promete abrir salas no início de setembro com clássicos da cultura pop. E mesmo que os grandes lançamentos ainda sofram adiamentos – Tenet chega em outubro, Mulher-Maravilha em novembro – o sistema se prepara para o retorno.

A discussão se é a hora ou não, infelizmente, parece ter sido sublimada pelo comportamento geral da nação, que se espelha no mundo para voltar a viver normalmente, mas ignora por meses a atitude correta a se tomar. O fato é que, queira você ou não, o cinema está de volta. Seja pela necessidade da indústria, dos trabalhadores ou desejos individuais. Agora, cabe ao público fora das redes sociais dizer se o momento foi adequado ou não.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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