“A opinião pública fez eu me odiar”, diz Preta Gil

·2 minuto de leitura
Em casa, Preta Gil é fotografada pela amiga Alice Venturi

Defensora do corpo normal, Preta Gil participou do sexto episódio do podcast ‘Prazer, Renata’, disponível na plataforma do GloboPlay, para falar sobre um assunto que esteve sempre presente em sua vida, a aceitação do próprio corpo. A filha de Gilberto Gil, que já encarou diversas dietas malucas, remédios redutores de apetite e lipoaspiração, revelou que antes da fama não tinha problema com o seu corpo.

“Eu tinha que aprender a me olhar com amor e respeito, eu também não gostava no meu corpo, isso depois de ser famosa, o meu processo foi inverso porque eu me amava, mas a opinião pública me fez me odiar, depois eu tive que me resgatar”, respondeu Preta, que para resgatar o amor-próprio, começou a postar fotos de biquíni nas redes sociais em busca de libertação.

Leia também:

“Mas a questão da identificação, da representatividade veio depois, eu precisava me enxergar e me amar primeiro. Nós todas fomos criadas para nos odiar. Eu olhava pra capa da revista e não me enxergava, olhava pra televisão e não me enxergava, então como você faz? Estou errada? O meu corpo que é feio? Você começa a se odiar”, refletiu a artista que acredita que a sociedade está o tempo todo estimulando as mulheres a se odiarem.

“É uma luta e as mulheres não têm estímulos para se aceitarem, hoje em dia até temos alguns movimentos, mas se pensarmos há dez, quinze anos, não existia. É muito difícil. Existe um culto ao corpo magro, padrão, jovem. Vivemos um momento em que existem mulheres na sua individualidade ou no coletivo que mostram outras possibilidades, na minha época de adolescente não tinha”, relembrou. 

“Existem mulheres que ainda olham para o corpo gordo e acham feio, não conseguem achar beleza ali”, finalizou.

Outro assunto abordado durante a conversa, foram os cabelos brancos da cantora, aos 46 anos, Preta decidiu assumir os fios e recebeu críticas por isso. “A mulher mais velha, mais madura, sempre foi colocada num lugar de descarte na sociedade, você está envelhecendo, você é uma avó, tem que se comportar. Nós também estamos desconstruindo isso. Eu assumi os meus cabelos brancos na pandemia e isso virou uma celeuma na internet. Não estou falando pra ninguém assumir os cabelos brancos, porque estou cansada de mais essa prisão, dessa rotina de opressão. Eu sofri muita pressão de pessoas próximas”, respondeu.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos