“A gente vai repetindo padrões de forma compulsória”, diz Fernanda Nobre sobre machismo

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Fernanda Nobre em foto publicada nas redes sociais

Resumo da notícia

Fernanda Nobre conversou em podcast sobre machismo

Atriz se mostrou incomodada com alguns padrões que ainda permanecem na sociedade

Ela compartilhou sobre sua como é a sua relação com seu namorado

Escalada para a próxima novela ‘Um Lugar ao Sol’, Fernanda Nobre, 37 anos, casada com o diretor José Roberto Jardim, participou do podcast da jornalista Renata Ceribelli, ‘Prazer, Renata’, exibido hoje, 31, no GloboPlay, durante o bate-papo, ela falou sobre relacionamento aberto, padrões da sociedade, feminismo e questões sobre o machismo.

“O meu caminho foi um caminho mais político e filosófico. Eu comecei a estudar o feminismo um pouco tarde, faz uns cinco anos. Mulheres me despertaram para isso. Eu sempre vivi de forma muito patriarcal, muito machista e reproduzindo o machismo, né... E aceitando isso sem questionar. Quando eu comecei a despertar para o feminismo, estudar a história da evolução da mulher na humanidade, eu comecei a entender como a gente não tem escolhas. A gente vai repetindo padrões de forma compulsória”, disse.

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“E aí, a monogamia, assim como a maternidade, assim como a heterossexualidade, assim como várias outras coisas, elas são repetidas sem a gente questionar. Então, quando eu me dei conta de que eu, durante a minha vida toda adulta, vivia de uma forma muito insegura. Sempre fui uma mulher muito insegura. Nunca sofri muitos traumas por traição não, mas eu sempre fui muito insegura. Sempre tinha muito medo de ser colocada como trouxa, de levar uma pernada de um namorado. Sempre aquele assombro”, admitiu.

“Mulher ciumenta e competitiva com outras mulheres, querendo ser exclusiva, querendo ser a mais gata de todas, disputando com outras. Quando eu entendi que isso tudo foi uma construção do patriarcado para controlar nós mulheres, pra que eles tivessem herdeiros legítimos, e inquestionáveis, e controlar nosso poder, o que eles fizeram? Vocês não transam com ninguém. Mas eles podem, eles são permissíveis. É claro que tem homens que são comprometidos com os pactos deles, mas esses homens têm amigos e eles sabem como é a situação”.

“Foi uma libertação, que não foi fácil e não é fácil, porque eu fui construída dentro dessa sociedade. Então, eu quebrar esse padrão dentro de mim, ainda mais um padrão super arraigado, é super difícil, mas é um exercício. Assim como é um exercício não competir com uma mulher. Tudo é um exercício. E isso passou a ser. Eu passei a conversar com o meu parceiro, que é um cara muito aberto, é um intelectual. Somos artistas e buscamos nos transformar e fazer das nossas vidas uma expressão artística também e uma busca política”.

“Então, eu comecei a exercitar isso já faz uns três anos. No meu caso não é poligâmico, é só fora da hipocrisia. Eu posso me interessar por alguém. A minha vida não é uma festa, eu não vivo saindo com várias pessoas. Mas, eu não finjo que isso não vai acontecer. Eu lido com o fato de que a fidelidade não existe. Então, eu lido na realidade com a lealdade na relação. Uma pessoa que vive assim não é mais moderna, não é mais livre do que uma mulher que vive num relacionamento monogâmico”, argumentou.