Melodrama pop, ‘A Dona do Pedaço’ leva empoderamento feminino ao horário nobre da Globo

Foto: João Miguel Júnior/TV Globo

Por Giselle de Almeida

Escrita por Walcyr Carrasco, “A Dona do Pedaço” aposta numa história de amor impossível, com tons shakesperianos, e na força de sua protagonista, Maria da Paz (Juliana Paes), uma representante do empoderamento feminino. Equipe e elenco prometem fortes emoções na novela, que substitui “O Sétimo Guardião” a partir desta segunda, 20, no horário nobre da Globo.

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A história começa na década de 90, na fictícia Rio Vermelho, no interior do Espírito Santo, onde o casamento da mocinha com o advogado Amadeu (Marcos Palmeira) é interrompido por uma tragédia. Os dois vêm de famílias rivais, os Ramirez e os Matheus, que não aceitam a união. O noivo é baleado num atentado, e a noiva, jurada de morte, foge da cidade e chega a São Paulo, sozinha e grávida.

Para se sustentar, resolve transformar em profissão o talento para fazer bolos, herdado da avó, Dulce (Fernanda Montenegro). Vinte anos depois, Maria é dona de uma rede de confeitarias que fizeram sua fortuna.

“Walcyr foi muito feliz ao criar essa personagem, que vai conversar com todas as mulheres que são donas de si, que se fizeram pelo próprio esforço, que são a razão do próprio sucesso. Mulheres que passaram por dificuldade na vida, mas não esmoreceram, não têm medo de ir à luta. Essa novela vai falar muito com o público feminino. Essa palavra que está na moda, empoderamento, tem muito a ver com a Maria da Paz”, analisa Juliana.

A força da protagonista é algo natural, segundo o autor. “É o que está acontecendo, a mulher ocupando seu espaço, sendo capaz de ser dona de uma empresa, tocando avante, fazendo sua própria vida. Acredito que está na hora de falar da força das mulheres”, afirma Carrasco.

Nos bastidores, o folhetim também é conduzido por um nome feminino de peso, a diretora artística Amora Mautner, que se diz feliz por poder abordar o tema num trabalho em que está “rodeada de mulheres muito potentes”. “Fazer uma novela hoje em dia sem retratar isso não fica tão orgânico”, diz ela, que também está à frente da minissérie “Assédio”. “A novela um lindo melodrama pop, onde amor e esperança superam todos os dramas da vida.”

Maria da Paz ( Juliana Paes ) e Evelina ( Nivea Maria ) Foto: João Miguel/TV Globo

Reencontro vinte anos depois

Com a vida refeita e com a filha, Josiane (Agatha Moreira) já adulta, Maria da Paz vai se surpreender ao reencontrar o amado, que acreditava estar morto. Só que, agora, ele tem sua própria família: é casado com Gilda (Heloísa Jorge) e é pai de Carlito (João Gabriel D’Aleluia). Por uma dessas coincidências da vida, seu cunhado, Márcio (Anderson Di Rizzi), é gerente da fábrica da empresária. Numa visita a uma de suas lojas, os dois se veem pela primeira vez depois de vinte anos.

“O público vai se emocionar bastante. Vamos resgatar esse tipo de novelão, dos dramas fortes, dos grandes acontecimentos, dos encontros e desencontros”, analisa Palmeira.

O caminho para os ex-noivos, no entanto, não será tão fácil. A ambiciosa Josiane, que sempre teve vergonha da mãe, faz de tudo para evitar qualquer possibilidade de que os pais fiquem juntos novamente. Envolvida com o playboy Régis (Reynaldo Gianecchini), a jovem, que sonha fazer sucesso como influenciadora digital, propõe que ele seduza a mãe e tire dela seu dinheiro.

“Vai ser um novelão, acontece muita coisa, muito rápido. O público pode esperar várias reviravoltas”, promete Gianecchini.

A rivalidade entre os Matheus e os Ramirez também afeta as vidas das sobrinhas de Maria da Paz, vítimas da vingança pelo atentado a Amadeu. Fabiana (Maria Clara Baldon/Nathalia Dill) é raptada, mas é poupada da morte e deixada em um convento distante da cidade. Duas décadas depois, ela descobre, ao assistir a um programa de TV, o paradeiro de Virgínia (Duda Batista/Paolla Oliveira). Adotada por Otávio (José de Abreu) e Beatriz (Natália do Vale), tornou-se uma celebridade da internet e é uma das pessoas mais famosas do país, atualmente conhecida como Vivi Guedes.

“Assim como a Maria da Paz, a personagem da Paolla também é o retrato da mulher empoderada, atual, moderna. São dois universos muito fortes”, explica Carrasco.