A compra da MGM pela Amazon e a transformação do cinema em tecnologia

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UKRAINE - 2021/05/18: In this photo illustration the Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) logo of US media company is seen on a smartphone screen with an Amazon logo in the background. (Photo Illustration by Pavlo Gonchar/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
A compra da MGM pela Amazon e a transformação do cinema em tecnologia. Foto: Pavlo Gonchar/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Depois da explosão de assinantes e a definição de que streaming não é mais um nicho, chegou a hora da indústria se mover no quesito aquisições. Em primeiro lugar, como sempre dissemos por aqui na coluna, não há como o mercado sustentar tantos serviços ao mesmo tempo. Por isso, nada mais natural do que vermos fusões como a recém anunciada da Warner com a Discovery, e a provável compra da MGM pela Amazon. Mas no fundo, o que isso significa?

Conteúdo, e nada além disso. Em um mundo dominado pela Netflix, único serviço capaz de lançar inúmeros produtos simultaneamente, não há tempo hábil para os estúdios que acabaram de entrar no mercado acompanhar o passo da empresa de Reed Hastings somente com produções próprias. E claro, conteúdo não significa só produto audiovisual, mas sim aquisição de base de usuários e todo merchandising que acompanham essas franquias - imagine Warner dona de todos os canais Discovery e a Amazon dona da série 007. O valor disso é enorme, mas longe de ser imediato.

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Alguns meses ou anos virão antes de vermos isso mudar na prática, mas alguns movimentos já sugerem o que será o entretenimento daqui pra frente, a começar pela união destes gigantes. Os canais de distribuição estão cada vez mais espalhados, nichados, e dependem de um conhecimento profundo para que a monetização seja relevante. Em outras palavras, não dá mais pra focar somente em cinema, televisão e merchandising para lucrar no meio. É preciso entender o meio digital como primeiro passo, cenário base de aquisição - e é exatamente por isso que os estúdios tradicionais correm tanto para se adaptar.

Acontece que velocidade nunca foi o forte das indústrias tradicionais, e por isso que hoje podemos estar presenciando os primeiros passos do domínio das big techs no mundo do entretenimento. Se a Amazon concretizar a compra da MGM não será surpresa ser a primeira de muitas aquisições, e tarda para que a Netflix seja a próxima - e não por necessidade dela, mas sim de outros grandes estúdios como Sony, Paramount, Universal. Estes três, por exemplo, já começam a traçar acordos para diminuir a janela de lançamento e negociam exclusividade no streaming em serviços de terceiros.

A preocupação fica com a independência dos criadores, na manutenção da essência artística que fez tantas dessas marcas serem relevantes. A mudança já está ocorrendo, os próximos capítulos definirão como serão as coisas daqui pra frente. Mas neste novo cenário uma coisa é certa: entretenimento de sucesso não existirá em larga escala sem uma grande empresa de tecnologia por trás.

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