A Bíblia é a essência do terror em "Missa da Meia-Noite"

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"Missa da Meia-Noite". Foto: Divulgação/Netflix
"Missa da Meia-Noite". Foto: Divulgação/Netflix

Assim como A Maldição da Residência Hill e A Maldição da Mansão Bly, não é aconselhável ver Missa da Meia-Noite achando que encontrará um terror clássico com sustos enormes, muita violência ou perturbação de uma noite de sono. O lance de Mike Flanagan é abraçar a atmosfera de horror para falar de dramas cotidianos, e nesta nova série da Netflix a ideia é explorar os dilemas de quem segue ou já seguiu a Bíblia, se questiona sobre religião e busca razão em algo superior.

Na trama, o atormentado Riley Flynn chega à Ilha Crockett, uma pacata comunidade que recebe agora um novo padre e com ele uma onda de acontecimentos estranhos que movimentam a vida das poucas pessoas no local. A partir disso, o roteiro deliberadamente cita passagens das escrituras para pôr os personagens contra ou a favor dos ensinamentos do cristianismo e, aos poucos, joga elementos sobrenaturais para compor o clima de mistério que potencializa a discussão proposta.

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Flanagan, a mente por trás de tudo, projeta tanto dilemas pessoais no roteiro que cada personagem parece um questionamento por si. Riley a descrença, Erin a esperança, Paul a devoção, Bev o fanatismo, Leeza a resiliência, Joe o perdão. Espalhadas pelo elenco afinadíssimo, as perguntas e os dilemas de Flanagan brilham quando se misturam com o mistério e o terror da Ilha. Tudo parece mais forte, mais terrível, se os momentos mais intensos da Bíblia se materializam em atitudes duvidosas ou louváveis dos personagens.

O problema é quando as passagens se tornam só e somente grandes monólogos. Soltos em cenas extensas, essas falas contribuem para o aspecto filosófico das discussões de Missa, mas não impactam como as imagens ou sequências bem dirigidas por Flanagan - a cena da discussão religiosa na escola, por exemplo, é tão doloroso e impactante quanto qualquer diálogo sobre o pós-vida entre Ryan, Erin e Paul. Independente destes baixos, Missa da Meia-Noite acerta quando usa a Bíblia como base para o terror e materializa os horrores que o homem pode cometer lendo o mesmo Salmo que outro usara para recuperar alguém.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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