8 atitudes racistas que as pessoas têm e o Carnaval reforça

Colaboradores Yahoo Vida e Estilo
(Foto: Getty Images)
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Por Pedro Borges e Thalyta Martins, do Alma Preta

Carnaval é a época do ano em que as pessoas saem fantasiadas, pintadas, cheias de glitter e sem vergonha de se divertirem. No entanto, é bom salientar que mesmo durante a época festiva, “brincadeiras” têm limites e algumas atitudes nem brincadeiras são.

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O momento de extravasar e curtir deve ser para todos — sim, ainda precisamos lembrar isso em 2019: negros, brancos, héteros, LGBTQIs, mulheres negras, brancas, pessoas de todas idades, tamanhos e perfis.

E em uma cultura em que o racismo está tão enraizado, o Alma Preta reúne abaixo frases e pedidos que só reforçam o preconceito estrutural da nossa sociedade e não devem ser proferidas, pois são racistas. Confira:

1. Negros não nascem “com o samba no pé”

Não mande o amigo, colega, conhecido ou desconhecido sambar só porque ele é negro. Negros não nascem “com o samba no pé”. Afinal, não existe um gene específico para essa característica no DNA humano. Também não diga para um negro que souber sambar: “esse daí não nega a cor”. Isso é racismo!

2. Não chame mulheres negras de Globeleza

As mulheres negras são diversas, têm diferentes tonalidades de pele, formatos de nariz, tamanho, peso, idade e não são resumidas a uma única figura. Achar que negras e negros são todos iguais é uma das faces do racismo. A Globeleza também representa a exotificação da mulher negra, vista pela sociedade como objeto sexual, que fica à “disposição” de todos. Já repararam que é somente no Carnaval que ela é colocada como “padrão” de beleza pela TV? Notaram também que ela sempre está praticamente nua?

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3. Homens negros não são apenas um pênis

A ideia de que os homens negros têm um órgão genital ‘desenvolvido’ constrói um fetiche grande sobre eles durante o feriado festivo. Hipersexualizar homens negros e buscar sexo com eles, “afinal é Carnaval”, também é racismo.

4. Não toque no cabelo das pessoas negras

Não faça isso! Você está invadindo o espaço de alguém para fazer o que ela não te autorizou. Isso é desrespeitoso. Os cabelos crespo e cacheado são normais e você não tem que ficar verificando isso. Frases como: “Nossa, é macio!”, “Como você lava?” ou “Dá trabalho?” são racistas.

5. ‘Nega maluca’ não é fantasia

Durante a festa, fantasiar-se é normal, engraçado e bem-vindo, mas “fantasiar-se” de negro ou se pintar de preto para representar uma pessoa negra são manifestações racistas. O mesmo vale para fantasias como a de nega maluca, do ‘negão do Whatsapp’ e mesmo perucas black power.

6. “Por que negros só fazem filhos no Carnaval?”

Essa pergunta é comum e totalmente infundada. Negros, assim como brancos, indígenas ou asiáticos nascem todos os dias, durante todos os meses. É racismo reforçar o imaginário de que negras e negros só pensam em sexo.

7. Seja uma pessoa melhor e reveja sua abordagem

Nada de batucar com as mãos, como se estivesse tocando algum instrumento de percussão para pessoas negras com o objetivo de fazê-las dançar, nem nada de chamar a mulher negra de “morena” e falar que ela tem a cor do pecado. Isso é racista, e machista.

8. ‘Cabeleira do Zezé’, sério mesmo?

Cantar marchinhas racistas como a “Cabeleira do Zezé” é reproduzir o racismo. Tudo o que deturpa a imagem do negro e reforça estereótipos negativos sobre os afro-brasileiros é racista, e, portanto, não é brincadeira.

Além do racismo ser reprovável, lembramos que é crime de acordo com a legislação brasileira, independente da época do ano ou festividade. O artigo 140 parágrafo 3 do Código Penal Brasileiro diz que ofender a honra de alguém citando elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem pode gerar uma ação penal por injúria racial. A Lei nº 7.716/89 também diz que o racismo é crime inafiançável.

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