5 pontos que fizeram "Maid" se tornar a minissérie mais assistida da Netflix

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Cena da série Maid, da Netflix. Foto: Divulgação.
Cena da série Maid, da Netflix. Foto: Divulgação.

"Maid" é a minissérie mais assistida da Netflix, batendo até outra queridinha da plataforma, Gambito da Rainha. A produção acompanha a vida de Alex (Margaret Qualley) que depois de sofrer violência doméstica precisa fugir junto com sua filha pequena do seu ex-namorado alcoólatra. Sem apoio familiar, sem diploma e sem emprego, ela começa a trabalhar como empregada doméstica.

Mas afinal, quais os motivos fizeram com que essa série chegasse a bater outras minisséries populares da plataforma? Entenda agora, mas atenção! Esse texto contém spoilers

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Baseada em fatos reais

Maid é baseada em uma história real. Stephanie Land é autora do livro Superação: Trabalho Duro, Salário Baixo e o Dever de Uma Mãe Solo, que é a obra autobiográfica que deu origem à trama da série.

No livro, acompanhamos o drama real de Stephanie sobrevivendo na linha da pobreza nos Estados Unidos, com sua filha de 9 meses depois de se separar de seu namorado agressor.

Diversas mudanças ocorreram na adaptação, como a presença ativa da mãe de Alex, Paula (Andie MacDowell) que na história real não ocorreu, pois Stephanie mora nos EUA e os familiares na Europa.

Outra diferença é o protagonismo maior do ex-namorado de Alex, Sean (Nick Robinson), que na obra original aparece apenas para pegar a filha nos finais de semana.

Linha de pobreza nos EUA

Mesmo os Estados Unidos sendo um país desenvolvido, vemos um lado diferente do que estamos acostumados em obras do audiovisual norte-americano. Acompanhamos o drama de Alex, com pouco dinheiro, mostrando quanto é difícil viver sendo uma mulher pobre, mãe solo e trabalhando como empregada doméstica.

Durante toda a série, vemos o dinheiro de Alex entrar e sair com muita facilidade. Ganhando US$35,01 por faxina, tendo poucos clientes e pouca perspectiva de sair dessa situação. Vemos diversas vezes, ela tendo que sacrificar para comprar coisas básicas como material de limpeza, gasolina, comida e aluguel.

Essa realidade apresentada no estado de Washington, não é diferente da vivenciada por milhares de mulheres brasileiras que sobrevivem igual ou até pior do que Alex. Vivendo em situações precárias, em situação de insegurança alimentar e tendo que ser forte para sustentar os filhos.

A fantasia e a brincadeira com a realidade

Em diversos momentos, a criação encabeçada por Molly Smith Metzler, brinca com elementos da série. Como no primeiro episódio, onde vemos falas como “Então, você está procurando uma ajuda grande e gorda do governo porque é um pedaço de lixo branco e desempregado, estou certo?” uma fala “supostamente” dita pela primeira assistente social, contudo a realidade aparece minutos depois quando a funcionária pede para ela preencher um formulário.

Ou quando vemos a apatia dela depois de começar a sofrer violência doméstica novamente e ela é “sugada” pelo sofá. Se escondendo e se aninhando em um espaço escuro, onde as vozes estão longe e ela não consegue sair de dentro.

Os elementos fantasiosos, que aparecem em meio a cenas dramáticas e atuações densas, dão um respiro para os telespectadores imersos na história dessa mãe solo e suas pequenas vitórias e derrotas.

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A excelente trilha sonora

De Salt-N-Pope, com a música Shopp até The Girl From Ipanema de Frank Sinatra e Jobim. As músicas embalam momentos importantes, são utilizadas para ambientar melhor os dramas e os momentos felizes vividos por Alex.

As letras brincam com momentos importantes de libertação de Alex, como quando começa a tocar Don’t Stop Me Now do Queen, depois da moça conseguir alugar uma casa que possibilita à filha ficar em uma excelente creche.

Até momentos tensos, como quando a moça imagina estar sendo observada por Barefoot Billy - a celebridade local, que se trata de um ladrão juvenil que assaltava diversas casas e está foragido - e acaba ficando presa dentro do sótão, revivendo então memórias adormecidas que ela tinha sobre a relação dos pais.

Uma série que fala sobre mulheres

A relação de afeto e conflito entre mulheres é um ponto alto da série. Desde o começo, vemos mulheres conversando sobre suas questões. Alex com seu ex-namorado agressor e com uma filha pequena, uma assistente social gentil que tenta retirar a moça da situação complicada que se encontra, Daniela (Aimee Carrero) outra vítima de violência doméstica que dá o chacoalhão necessário para Alex reagir.

A relação mãe e filha, envolvendo Paula (Andie MacDowell) e Alex. Paula é uma personagem complexa, com problemas mentais, relacionamentos abusivos e violência doméstica. Ela diversas vezes é maldosa e até negligente com Alex, que recebe todos os ataques e a frustração sem revidar.

Mesmo ela querendo mudar as coisas, melhorar a vida da mãe e romper ciclos. Alex entende que tudo tem seu tempo. Como ela vivencia com diversas mulheres em situações diferentes. Tanto no abrigo de violência doméstica, quanto em conversas com a sua chefe e sua amiga Regina (Anika Noni Rose).

Somos celebrados com uma história sobre força feminina, sem cair em romantização baratas. Vemos como o apoio, incentivo e condições financeiras mais estáveis são importantes para o melhor desenvolvimento de crianças e de suas famílias.

A série mostra os vários tipos de violência doméstica, que não necessariamente precisam ter violência física, mas que se não colocados um basta desde o início podem ocasionar em agressões físicas e até fins mais trágicos.

Alex, é a história de diversas mães solos ao redor do mundo e é uma história de fácil reconhecimento.

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