5 motivos para ver 'Olhos que Condenam', sensação na Netflix

(Imagem: divulgação Netflix)

Assistir à minissérie ‘Olhos que Condenam’ e ficar indiferente é algo impossível. Partindo de uma história real dramática, a atração disponível na Netflix desde o final de maio gera uma onda de sentimentos (indignação, raiva, empatia) para lembrar uma das maiores injustiças cometidas pelo sistema legal norte-americano.

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Conhecido como o caso dos ‘Cinco do Central Park’, o evento retratado aconteceu em 1989, quando cinco adolescentes entre 14 e 16 anos foram acusados de espancar e estuprar uma mulher no mais famoso parque de Nova York. Submetidos a uma prolongada tortura psicológica por parte da polícia, os jovens foram forçados a confessar o crime. Os quatro episódios mergulham o público neste turbilhão e suas diversas implicações nas vidas dos envolvidos.

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Listamos abaixo cinco motivos para você não perder a minissérie:

Sucesso de audiência com impacto no mundo real

No último dia 12 de junho, a Netfix anunciou que ‘Olhos que Condenam’ foi a série mais assistida nos EUA desde seu lançamento, em 31 de maio. O sucesso extrapolou a tela e gerou implicações no mundo real, mudando de vez a percepção da opinião pública sobre o caso.

Na última semana, por exemplo, Elizabeth Lederer, que trabalhou como promotora no julgamento, renunciou ao cargo no corpo docente da Universidade de Columbia após ser alvo de protestos de alunos que viram a minissérie. Já Linda Fairstein, a outra promotora do caso que incriminou os jovens, abandonou a ONG Safe Horizon, que ajuda vítimas de abuso e crimes violentos em Nova York, e seus livros passaram a ser boicotados.

Temas fortes e urgentes

‘Olhos que Condenam’ fala de racismo e opressão policial, temas que infelizmente também são comuns na sociedade brasileira. Além disso, aponta como a Justiça não está isenta de falhas, e como decisões erradas mudam a vida não apenas daqueles considerados culpados, mas de suas famílias.

Direção de Ava DuVernay

A minissérie tem assinatura de uma das grandes vozes do cinema norte-americano hoje, Ava DuVernay, de ‘Selma: Uma Luta Pela Igualdade’ e do documentário indicado ao Oscar ‘A 13ª Emenda’, também produzido pela Netflix. Ela foi a primeira cineasta negra a comandar um filme com orçamento superior a US$ 100 milhões, com ‘Uma Dobra no Tempo’, lançados nos cinemas em 2018.

‘Olhos que Condenam’ é seu trabalho mais pungente, deixando claro a força de seu olhar para tratar de questões delicadas de uma forma bastante humana.

A diretora Ava DuVernay (Foto: David Livingston/Getty Images)

Cutucão em Donald Trump

A minissérie usa aparições reais de Donald Trump à época do crime, falando sobre o caso na TV e exigindo a pena de morte para os garotos então considerados culpados do estupro, atiçando a ira da sociedade norte-americana. Uma reação que soa ainda mais absurda hoje, depois dos jovens terem sua inocência provada.

"Quando Donald Trump publicou os anúncios de página inteira nos jornais da cidade de Nova York pedindo nossa execução ele colocou um prêmio por nossas cabeças", lembrou recentemente Yusef Salaam, um dos acusados, em evento da American Civil Liberties Union. “Tivemos que lutar para rasgar o rótulo que a imprensa nos colocou”.

História de superação

Apesar de ser na maior parte do tempo trágica, ‘Olhos que Condenam’ é também uma história de superação. Isso fica claro no desfecho, que mostra os cinco homens nos dias de hoje, muito deles envolvidos em trabalhos que de alguma forma dialogam com meios de construir uma sociedade mais justa e tolerante.

Yusef Salaam, por exemplo, é porta-voz da causa e foi homenageado pelo presidente Barack Obama em 2016; Korey Wise e Kevin Richardson trabalham na ONG Innocence Project, que atua pelos direitos de quem está injustamente preso.

Uma dica é, depois de terminar a minissérie, assistir também ao especial disponível na Netflix no qual a apresentadora Oprah Winfrey recebe os envolvidos.

(Imagem: divulgação Netflix)