2020: um ano (quase) sem heróis nos cinemas

Natália Bridi
·4 minuto de leitura
'Mulher-Maravilha' 1984 é a única grande estreia de filmes de heróis em 2020 (Foto: Divulgação)
'Mulher-Maravilha' 1984 é a única grande estreia de filmes de heróis em 2020 (Foto: Divulgação)

Em 2019, 'Vingadores: Ultimato' coroou uma tradição que acompanhava o público dos cinemas desde 2008, quando o primeiro 'Homem de Ferro' foi lançado. Claro que o 'Marvel Studios' não inventou o cinema de heróis, mas foi a regularidade criada por um estúdio focado somente em levar para tela grande seus personagens dos quadrinhos que fez com que esse tipo de filme deixasse de ser uma presença eventual para se tornar um gênero próprio, com outros estúdios também apostando forte no formato.

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O ano de 2020 não seria diferente. Depois de 'Aves de Rapina' em fevereiro, o calendário dos filmes baseados em quadrinhos seguiria com 'Os Novos Mutantes' em abril, 'Viúva Negra' em maio, 'Mulher-Maravilha 1984' em junho, 'Morbius' em julho, 'Venom: Tempo de Carnificina' em outubro e 'Eternos' em novembro. Porém, a chegada da pandemia do novo coronavírus em mudou tudo.

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A Marvel inicialmente adaptou seu calendário, situando o já muitas vezes adiado 'Os Novos Mutantes' em um espaço em agosto e deixando Viúva Negra com o período de estreia de 'Os Eternos' (mas eventualmente os dois filmes foram adiados para 2021). A Sony, que estava prestes a estrear as suas novas apostas no universo criado em torno do Homem-Aranha passou todos para o ano seguinte, enquanto a Warner foi mais cautelosa. Primeiro Mulher-Maravilha 1984 foi adiado para agosto, depois outubro, estreando finalmente em dezembro.

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Todas essas mudanças fizeram desse o primeiro ano sem um lançamento do Marvel Studios desde 2010. Apesar do investimento no Disney+ (com séries como Falcão e O Soldado Invernal e WandaVision também tendo seus lançamentos adiados por conta da pandemia), o estúdio decidiu manter seus planos de estreia nos cinemas, enquanto outras produções da Disney como Mulan e Soul foram destinadas ao streaming. A perspectiva ainda incerta sobre o fim da pandemia, porém, já fez com que a Marvel tomasse algumas providências, com novos acordos sendo explorados com os artistas da casa para cobrir um eventual lançamento na plataforma de streaming em 2021.

Dos filmes que chegaram aos cinemas, 'Aves de Rapina', lançado antes das restrições da pandemia, não foi considerado um grande sucesso na época (ainda que tenha superado mundialmente seu orçamento de US$ 80 milhões com uma arrecadação de US$ 200,8 milhões), mas acabou se tornando uma das maiores bilheterias do ano. Já 'Os Novos Mutantes' foi massacrado pela crítica e chegou a uma soma de US$ 46,3 milhões mundialmente no seu lançamento em agosto, quando os cinemas abriram com diversas restrições.

O desempenho abaixo do esperado de Tenet, a grande aposta nesse período de reabertura das salas (o filme fez US$ 362,1 milhões mundialmente, mas o estúdio precisava que o longa chegasse a marca dos US$ 400 milhões nos EUA para dar conta dos custos de produção e marketing), fez com que a Warner tomasse a decisão bombástica de lançar 'Mulher-Maravilha 1984' simultaneamente nos cinemas e no streaming HBO Max nos EUA.

Essa decisão polêmica, que foi seguida pelo anúncio de que o estúdio faria o mesmo com todos os seus lançamentos programados para 2021 (incluindo 'Esquadrão Suicida 2', 'Duna' e 'Matrix 4'), mexe diretamente com o acordo existente há anos entre estúdios e exibidores. Inicialmente uma exceção, com o cuidado de manter os filmes apenas por um mês na plataforma, a estratégia reflete o protagonismo assumido pelos streamings durante a pandemia e, dependendo do resultado no número de assinaturas do HBO Max, pode, sim, transformar a indústria de Hollywood como um todo. Por enquanto, o clima ainda é de incerteza.

Se 2020 certamente representou grandes perdas para o mercado cinematográfico, essa ausência dos heróis nos cinemas deixou um vazio ainda maior no coração do público. Ainda que ótimas sátiras como The Boys mostrem o outro lado do heroísmo, o gênero é construído em torno do desejo de esperança (algo mais do que necessário no ano que passou) e há algo especial em compartilhar essa esperança em uma sala lotada. Talvez esse lançamento simultâneo de 'Mulher-Maravilha 1984' nos EUA traga uma nova forma de dividir esse momento, mas o desejo que fica, ainda mais com tantos anúncios do Marvel Studios e um promissor filme do Batman marcado para 2022, é que os filmes de herói voltem a ser uma tradição com o fim da pandemia.

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