2 / 15

A divulgação da folha de pagamento da BBC reacendeu a luta para reduzir a disparidade salarial

Como se precisássemos de um lembrete de que a desigualdade salarial entre homens e mulheres ainda é enorme, em julho descobrimos quanto apresentadores e atores da BBC ganhavam, com uma discrepância clara entre os dois sexos.
Os números mostraram que há apenas duas mulheres entre as dez pessoas com maiores salários, e a estrela mais bem-paga, Chris Evans, ganha cinco vezes mais do que a mulher que mais recebe.
Como já esperávamos, a divulgação dos salários despertou críticas e reacendeu a chama para reduzir as diferenças.
Depois de várias campanhas lideradas por diversos grupos, o governo britânico introduziu um requerimento para que empresas grandes (com mais de 250 funcionários) apresentem detalhes sobre a disparidade salarial entre homens e mulheres, incluindo bônus. A medida foi anunciada este ano e o primeiro relatório precisa ser entregue até abril de 2018. Este é um enorme passo para lidar com a questão da desigualdade salarial no Reino Unido. [Foto: Getty]

2017 foi o ano das mulheres soltarem sua voz, mas 2018 exigirá ação

O ano de 2017 não começou da melhor maneira. A eleição de Donald Trump, em novembro de 2016, serviu como um forte lembrete às mulheres de que a batalha pela igualdade estava longe de terminar.

O fato de que alguém com aquele tipo de reputação pudesse ser eleito, no lugar de uma mulher com décadas de experiência é a prova, se é que precisávamos dela, de que não chegamos nem perto do que imaginávamos.

Então, quando estiverem brindando a chegada do Ano Novo, as mulheres provavelmente não estarão se sentindo tão bem em relação ao ano que se aproxima.

Eis que, no dia 21 de janeiro de 2017, apenas três semanas após o início do ano e um dia depois da posse do Presidente Donald Trump, tivemos a Marcha das Mulheres.

Um número total estimado de 3,2 a 5,2 milhões de pessoas protestaram em 600 cidades ao redor do mundo, cifra três vezes superior a que presenciou a posse do novo presidente norte-americano.

Este foi, sozinho, um indicador de que algo havia mudado. Embora as coisas parecessem sombrias, havia uma fresta de esperança. Se nós ficássemos juntas, poderíamos começar a lutar.

É provável que muitas tenham ido à marcha com a expectativa de se sentir melhor, de acreditar que estavam fazendo algo. No entanto, no final do evento a maioria das pessoas percebeu que aquele era o começo de algo importante: a luta contra o que nos oprime.

O fim do ano tem um clima semelhante. Uma batalha contra a violência sexual está ocorrendo em todo o mundo, liderada pela campanha #MeToo em resposta ao escândalo de Harvey Weinstein.

Em meio a tudo isso, muitas foram as vitórias para celebrarmos – a permissão para que mulheres dirijam na Arábia Saudita, os protestos contra a disparidade salarial, o fato de que ‘Mulher-Maravilha’ se tornou o maior filme de super-heróis já lançado.

Não seria certo dizer que as mulheres estão terminando o ano em alta, mas estamos nos movendo na direção certa. De acordo com o dicionário Merriam Webster, ‘feminismo’ foi a palavra mais buscada do ano.

Se este ano serviu para nos ensinar algo, é o fato de que a resistência começou, mas a luta está longe de terminar.

“Fazer de 2017 o ano do feminismo foi a melhor resposta possível à chegada de Trump e à ascensão da misoginia,” diz Sam Smethers, presidente da Fawcett Society . “Nós precisamos levar esta batalha para 2018, e fazer dele um ano melhor para todas as meninas e mulheres”.

Com o fim de 2017, vamos refletir sobre o quanto este ano foi importante para as mulheres, e fazer um brinde, como promessa de que iremos continuar nossa batalha em 2018.