Rouge: filme engavetado, pressão estética e mais fatos pouco conhecidos sobre o grupo

Rouge (Foto: divulgação)
Rouge em show no Pacaembu (Foto: divulgação)

Quando decidiram participar do "Popstars", reality que formou o Rouge, Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils, Li Martins e Lu Andrade tinham o sonho de gravar álbuns, aparecer em programas de televisão e capas de revista, cantar para multidões e fazer parte da história da música brasileira. Depois de deixarem cerca de 30 mil candidatas para trás ao longo de seis meses de testes, tudo isso virou realidade — para o bem e para o mal. A seguir, listamos seis curiosidades surpreendentes na trajetória da maior girlband do país:

1. Lu nunca quis participar do grupo

Inscrita na competição musical por um conhecido, a mineira havia acabado de chegar em São Paulo e, estudando em um conservatório, buscava se aprofundar na MPB. Não à toa, quando ouviu as canções que fariam parte do cd de estreia, ela não se identificou e quase desistiu da seleção na reta final.

"Lu tinha crises horríveis no quarto [que dividíamos], dizia que não gostava de nada. Lembro de um episódio em que a diretora do 'Popstars' foi até a casa em que nós, as finalistas, estávamos confinadas e conversou com ela, tentando convencê-la a ficar. [...] Até onde eu entendi, ela era a mais querida [pela produção]", revelou Karin em uma entrevista ao podcast "Vênus".

Rouge (Foto: divulgação)
Rouge em ensaio fotográfico para o primeiro cd (Foto: divulgação)

2. "Ragatanga" foi um imprevisto

O primeiro álbum do Rouge já estava praticamente pronto quando, de última hora, Alexandre Schiavo (ex-presidente da Sony Music Brasil) pediu ao produtor Rick Bonadio que incluísse na tracklist uma música que estava "estourada" na Europa, de onde havia voltado há pouco tempo. As cinco, então, retornaram para estúdio e colocaram voz no que se tornou o maior hit do grupo.

3. As meninas gravariam um filme

Durante a coletiva de imprensa que oficializou a saída de Lu, em 2004, uma representante da produtora que gerenciava a carreira do Rouge disse que um longa protagonizado pelo quinteto/quarteto estava nos planos. O projeto, diferentemente do que aconteceu com as popstars argentinas (Bandana), não saiu do papel. Aliás, um CD em espanhol também foi descartado.

4. O nome do grupo não foi criado por elas

Ainda sobre as "hermanas" de Aline, Fantine, Li, Lu e Karin, "Rouge" foi ideia de algumas candidatas do "Popstars" da Argentina. Na ocasião, elas haviam se juntado para uma eliminatória em grupos e se apresentaram como tal. O nome ficou no radar da produtora, que o incluiu entre várias sugestões, e acabou sendo escolhido pelas vencedoras da versão brasileira da atração.

5. Dieta restritiva e visuais impostos

Em um bate-papo com o youtuber Gabriel Mahalem, Lu contou que uma pessoa da equipe estava sempre de olho no que todas comiam. "Quando íamos às rádios, por exemplo, muitas vezes preparavam lanches e outras coisas gostosas para comermos. Ela ficava falando que não podíamos engordar e até fazia assim [batia] na nossa mão quando pegávamos algo", recordou.

As cinco também não tinham controle sobre cabelo, figurino e maquiagem, principalmente no primeiro ano. "Tive que lutar muito para escolher o corte e a coloração que eu queria para o segundo álbum", completou ela em outro momento da conversa.

Rouge em ensaio fotográfico para o segundo cd (Foto: divulgação)
Rouge em ensaio fotográfico para o segundo cd (Foto: divulgação)

6. Conflitos internos

Na passagem pelo "Vênus", Karin ainda deu detalhes sobre as "brigas violentíssimas" que as meninas tinham com a produtora e a gravadora por melhores condições de trabalho. "Inicialmente, ganhávamos 300 reais por apresentação. Depois de muita insistência, conseguimos apenas um pequeno aumento. Lotamos o Pacaembu e cada uma ganhou 700 reais", lamentou a atriz e cantora.

Para piorar, entre elas — especialmente Fantine e Lu —, nem tudo eram flores. "Nunca fomos amigas. Nunca nos gostamos. Quando a encontrei na casa, após a final do 'Popstars', fiquei decepcionada. Nós tentamos, mas não rolou. A afinidade musical existe, mas os valores humanos são muito diferentes", comentou Fantine sobre Lu no mesmo podcast.

Na época, Karin relatou que as loiras costumavam brigar em inglês. "Fazíamos isso para diminuir o alcance do atrito [já que poucos entenderiam o que estava acontecendo], para preservar a imagem do grupo e nossos fãs", explicou Fantine.