12 sintomas de estresse que você precisa prestar atenção

(Foto: Getty Images)
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Por Gabriela Kimura

No dia a dia de quem mora nas grandes metrópoles e tem uma vida corrida, o estresse é um mal bastante presente. Apesar de não ser, necessariamente, algo ruim, pode, sim, trazer prejuízo para o corpo e para a mente. “O estresse físico quer dizer um aumento de hormônios, como cortisol e adrenalina, que causam um impacto em todo o nosso organismo e o estresse emocional está dentro desse escopo”, explica Gisele Mello, médica da Human Clinic (SP).

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Quando passamos por alguma situação diferente, o estresse aparece como uma forma de manter o corpo alerta. O processo é natural, porém, com a constância e um quadro crônico, afeta as nossas atitudes cotidianas, como sono, humor e até mesmo a libido. “O estresse crônico é perigoso se não for resolvido, permanecendo por meses. Pode atuar como agente de ponderabilidade, nos deixando mais expostos a adoecer. Ficamos mais predispostos a ter doenças, porque nosso sistema imunológico é um importante regulador”, pontua Rafael Trevizoli Neves, psicólogo da SOCESP e do Hospital do Coração.

Quase todas as doenças hoje em dia parecem estar ligadas ao estresse – e o estilo de vida acelerado e superestimulado tem muito a ver com isso. “Pelo estilo de vida e pelas exigências de hoje, estamos ensinando até as crianças a serem assim. Elas têm várias atividades ao mesmo tempo, estão aprendendo a serem aceleradas”, alerta Jennifer De França Oliveira Nogueira, diretora executiva do Departamento de Psicologia da SOCESP.

O quadro que começa em situações pontuais, mas pode se tornar crônico se não resolvido, pode desencadear doenças como vaginoses, arritmias cardíacas, transtornos de humor, síndrome do pânico, doenças autoimunes, alopecias, hipertensão arterial, infertilidade, anemias e distúrbios metabólicos em geral.

Fique de olho nos sinais que seu corpo manda – e aprenda a reduzir o ritmo:

1. Queda de cabelo

O número normal de fios que caem todos os dias é entre 50 e 100, uma quantidade até pequena considerando o total do seu cabelo. No entanto, se reparar que a queda está muito acentuada, vale o alerta para procurar um especialista. O estresse pode ser percebido diretamente na saúde capilar.

2. Insônia ou cansaço extremo

Uma das formas mais “imediatas” de perceber que algo não vai bem é avaliar seu sono. Você tem dificuldade para dormir, sente que acorda sempre mais cansado ou simplesmente acorda várias vezes durante a noite? O estresse pode ser um dos principais fatores nessa hora. “Ficamos dormindo em alerta, o corpo não relaxa, os órgãos não relaxam e você acorda muito cansado”, diz Rafael. “Precisamos nos desligar aos poucos, pra poder deitar e apagar mesmo.”

3. Inquietação

“As pessoas só percebem quando o sintoma físico aparece, quando já não consegue mais pensar e produzir bem. É como se estivesse faltando alguma coisa”, explica a diretora executiva do Departamento de Psicologia da SOCESP. Mudanças de humor, irritação, nervosismo e uma inquietação constante também fazer parte das manifestações físicas do estresse no corpo. “Viver sempre no limite tem uma consequência: como uma caixinha dos problemas que você só acumula, até a hora que ela explode”, diz Jennifer.

4. Tremores

Sabe aquele famoso tremor nas pálpebras? Se isso acontecer com você, é o sinal vermelho de estresse! Quando acontece esse tremor – que pode ser em outras partes do corpo -, os músculos se movimentam involuntariamente, por conta dos hormônios secretados. Que tal respirar e observar o horizonte por cinco minutinhos?

5. Náuseas ou dor de estômago

Uma das principais doenças relacionadas ao estresse é a famosa gastrite. Pense bem: num ciclo vicioso de ingerir muito café, se alimentar inadequadamente (comidas gordurosas, poucos vegetais ou poucas refeições no dia) e as reações que o estresse causam no organismo, o seu estômago é a primeira vítima.

6. Dores de cabeça constantes (ou enxaquecas)

Podem ser mais presentes na nuca, pela tensão dos músculos, mas também na região dos olhos. A sobrecarga do corpo estressado piora quando a mente também não consegue descansar.

7. Alergias

Nosso maior órgão, a pele, é também um dos mais sensíveis aos níveis de estresse, principalmente quem já tem alguma predisposição.

8. Perda do apetite, diarreia ou prisão de ventre

Com vários hormônios no corpo, tudo fica bem bagunçado, não é? Procure notar se aumentou a fome (ou a vontade de comer), quantas vezes vai ao banheiro e como estão suas fezes. Elas dizem muito sobre o que colocamos no corpo e como ele reage à tudo isso!

9. Redução da libido

O desejo sexual é muito mais que o toque físico, estando completamente relacionado com tudo que acontece no nosso corpo e na nossa mente. Assim como os ciclos femininos têm os hormônios que comandam o organismo, quando o estresse entra em cena, o jogo muda completamente. Pode ocorrer uma redução e falta de interesse – o que pode até agravar o quadro, tirando uma parte importante do prazer.

10. Brancos mentais

Aqueles pequenos esquecimentos podem parecer banais, mas, quando você fica muito estressado, eles se tornam mais frequentes e atrapalham o dia a dia. Não lembra onde colocou a chave do carro? Ou fica ainda mais nervoso pensando se fechou as janelas num dia de chuva? Preste atenção em como anda sua atenção e memória: isso pode ser sinal de um nível alto de estresse.

11. Esgotamento emocional

A sensação de desânimo, falta de energia e esses brancos mentais fazem parte de um quadro de esgotamento emocional, característico do estresse. “Todo mundo vive situações de estresse ao longo da vida que levam a um desgaste maior. O estresse é uma situação na qual a pessoa percebe que é maior do que ela dá conta – vem da terminologia industrial e simboliza um parafuso que perde a função por mais carga do que pode suportar. É quando você está além daquilo que você dá conta”, alerta Jennifer.

12. Bruxismo

O clássico ranger dos dentes (ou forçá-los) pode ser uma resposta do corpo para todos os estímulos que temos durante o dia. Assim como o sono de má qualidade, não há relaxamento dessa região e você fica sempre “em alerta”.

Como combater o estresse no dia a dia?

O psicólogo Rafael Trevizoli Neves listou as quatro grandes estratégias que podem ser aplicadas na redução do estresse:

● Educativas: saber o que é, identificar os sintomas, saber quais situações geram estresse, o que é mais fácil para lidar;
● Situacionais: reconhecer a inevitabilidade, duração e precisar se preparar pra isso, tentar encontrar aspectos positivos;
● Efeito duradouro: estratégias que ajudem a nos preparar para lidar com o estresse. Reconhecer e respeitar nossos limites (nem tudo pode ser sim), respeitar nosso próprio tempo e nos conhecer. “Uma das coisas que mais geram estresse é a sensação de que as coisas estão fora de controle. Retomar o controle do que pode ser controlado e outras não, que fazem parte de uma sociedade doente e não nós.”
● Atenuação do sintomas: quando estresse está instalado, já apresenta o sintoma, as estratégias precisam girar em torno desse momento de atenuar os danos.

A melhor ação contra o estresse é cuidar de si mesmo. Valorizar momentos de lazer, se fazer e estar presente no que quer que você faça, tirar férias, viajar e tudo o que faz bem para a nossa mente.

A alimentação é uma parte muito importante desse cuidado, principalmente no que diz respeito aos estimulantes, como cafeína, refrigerantes e também o tabagismo. “O ideal é que você não consuma café depois do seu horário final de trabalho, porque não tem onde gastar essa energia. Até que horas sua vida precisa de você ativo e que horas você precisa começar a relaxar?”, aconselha Rafael.

Sabe aquela máxima de ter que praticar exercícios físicos? Então, uma boa razão para você começar hoje mesmo alguma atividade é que ela serve para dar vazão à todo o estresse acumulado no dia. “A OMS indica que, a partir de 10 minutos de atividade física, já temos benefícios para a saúde. Você não precisa necessariamente ir a uma academia, pode subir escada, trocar o ponto e descer antes, etc”, diz o psicólogo.

Outra coisa: cuidado com o celular e aparelhos eletrônicos no geral. Eles podem gerar ansiedade (as mensagens não param de chegar!), além de atrapalhar o sono. Desligue-se cerca de uma a duas horas antes de dormir, mantendo-o distante da cama.

Valorize todos os momentos de descanso, lazer e ócio, como fim de semana, horário de almoço e os horários de descanso. “Reveja seu estilo de vida e procure a psicoterapia para ajudar a reduzir o estresse, porque precisamos colocar momentos de descanso, de lazer e de ócio. Vivemos para viver o máximo, chegar no limite”, explica Jennifer.

“O estresse é inerente, ele está aí. Mas como é sua percepção e como você lida é o que o torna algo suportável”, finaliza Jennifer.

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